-
Home / GDF / Cinelaria encerra 2ª edição com foco na direção de arte e valorização do cinema periférico

Cinelaria encerra 2ª edição com foco na direção de arte e valorização do cinema periférico

A 2ª edição do Cinelaria — Ateliê de Direção de Arte para Cinema foi encerrada esta semana em Ceilândia. Realizada em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), através da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), a oficina gratuita promoveu debates e práticas sobre a arquitetura do espaço cinematográfico, abrangendo desde cenários e figurinos até a escolha de locações. O projeto foi financiado pela Lei Paulo Gustavo, com um investimento de R$ 82 mil da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF).

De acordo com Cláudio Abrantes, titular da Secec-DF, a maioria dos projetos aprovados pela Lei Paulo Gustavo vem das periferias, locais que respiram cultura e carecem de oportunidades para transformar esse potencial em desenvolvimento. “Na Secec-DF, estamos nos esforçando para garantir que essas iniciativas tenham não apenas financiamento, mas também condições reais de execução, com suporte técnico e políticas de circulação que ampliem o alcance das produções. Esse é um passo essencial para consolidar a cultura como um vetor de inclusão e justiça social no Distrito Federal”, enfatizou.

Nesta edição, cinco curtas foram selecionados. As equipes, compostas por dois a cinco integrantes, participaram ao longo de duas semanas de palestras com instrutores de diversas áreas do cinema e, com base nessas palestras, desenvolveram um cine-mapa — um caderno manual com desenhos, colagens, anotações e plantas que servirá como guia para a direção de arte de cada filme. Durante o encerramento, cada grupo apresentou os resultados desse processo colaborativo de criação.

Denise Vieira, coordenadora do projeto, explicou que a Cinelaria é uma oficina que ocorreu pela primeira vez em 2023. A oficina não envolve filmagens; seu foco é trabalhar com equipes de filmes que ainda estão em desenvolvimento ou pré-produção. Alguns desses projetos já possuem roteiro, enquanto outros ainda não captaram recursos para a produção. “As inscrições são feitas por projeto de filme, e durante a oficina, os participantes desenvolvem esses projetos com ênfase na concepção do espaço do filme, que é responsabilidade da direção de arte,” afirmou.

Com 20 anos de experiência como diretora de arte, Denise procurou trazer uma perspectiva mais coletiva para esse trabalho, que muitas vezes é secundário em relação à fotografia e à dramaturgia. A ideia é envolver ativamente as equipes, incluindo o diretor, o materialista, o responsável pela fotografia e, frequentemente, o diretor de arte, na criação.

Para Anna Clara Moreira, de 26 anos, conhecida artisticamente como Anna Lia, o principal aprendizado da Cinelaria foi a vivência de um processo criativo coletivo e imersivo. Roteirista e diretora, ela contou que, normalmente, o início dos projetos é solitário, focado em reflexões individuais. “Somente quando a ideia está mais consolidada é que outras pessoas entram no processo, cada uma concentrada em sua área específica,” explicou. Com o curta Talião, que ainda está em fase inicial de desenvolvimento, a experiência foi diferente: ao lado da sua equipe e de estudantes de arquitetura, teve a oportunidade de discutir e imaginar o filme a partir da história que desejavam contar. “Esse processo compartilhado me surpreendeu pela riqueza e profundidade que trouxe desde o início da criação,” avaliou.

Oportunidade

O edital do projeto prioriza produções filmadas fora do Plano Piloto. Para a cineasta Ava Santos, de 28 anos, essa questão é muito importante. “Sou uma realizadora periférica, de Ceilândia, e faço parte do coletivo audiovisual Quilombra, que emergiu desse território. Ter um espaço como o Cinelaria, que valoriza produções da periferia, é fundamental para dar visibilidade ao nosso trabalho e garantir oportunidades que muitas vezes não temos. Foi uma experiência muito cuidadosa, generosa e afetuosa, que levarei para a vida,” concluiu.

No projeto da Ava, o curta OZIHCS foi desenvolvido especialmente para a oficina. Trata-se de um horror psicológico que aborda o adoecimento mental e a relação familiar entre mulheres. A trama se desenrola quando a filha mais nova tem sua primeira menstruação e a mãe interpreta o evento como um sinal demoníaco, acreditando ser uma maldição sobre a família. “Na verdade, o que se revela é a doença mental da mãe, e as filhas precisam lidar de perto com esse processo,” explicou.

Ava destacou que a oficina foi um divisor de águas em sua trajetória profissional: “Não vinha de uma experiência próxima à direção de arte. Meu foco sempre foi roteiro, direção e narrativa. Por isso, o curso foi meu primeiro contato direto com essa área, e foi fascinante. Aprendi a ver o cinema de forma mais integrada, unindo som, fotografia e, principalmente, a direção de arte ao processo narrativo. Isso agregou muito à minha formação e influenciará qualquer trabalho futuro que eu fizer.”

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

LEITORES ONLINE

Estamos online desde 22-05-2025. Somos registrados no CNPJ:60.958.689/0001-93- Razão Social: DF EM CARTAZ LTDA.ENDEREÇO: SHN QD 02 BLOCO F S/N EDIF: EXECUTIVE OFFICE TOW; SALA: 625 E 626;BAIRRO: ASA NORTE BRASILIA DF- Cep: 70702060- NOSSO E-MAIL: dfemcartaz@gmail.com

Termos e condições de uso do site dfemcartaz

Politica de privacidade do site dfemcartaz

Destaque da Semana

CONHEÇA TAMBÉM

Recebe todas as nossas materias gratuitamente em seu whatsapp

Clique no WhatsApp que aparece em sua tela. E receba.