O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) deu novas chances a dois pacientes que passaram por transplantes renais na unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). Os procedimentos mobilizaram equipes e garantiram mais qualidade de vida a João Mendes e Lucas Pereira**.
Ambos, que conviviam com doença renal crônica e dependiam de sessões frequentes de diálise, receberam órgãos de um mesmo doador, após uma mobilização integrada que envolveu diferentes áreas do hospital.
A notícia da compatibilidade chegou na Sexta-feira Santa (3). Lucas conta que estava em casa quando recebeu a ligação. “Eu demorei a entender o que estava acontecendo, não estava acreditando. Quando compreendi a situação, fiquei muito emocionado. Me arrumei e vim correndo para o hospital”, relembra.
O HBDF conta com equipe especializada e realizou 27 transplantes renais em 2025. O urologista da unidade, Guilherme Coaracy, explica que o tempo é determinante para o sucesso do procedimento. “No momento em que retiramos o órgão do doador e ele perde a circulação de sangue, ou seja, a oxigenação, ele começa a sofrer e as células começam a morrer. Então, quanto mais rápido ele for transplantado, mais preserva suas funções e melhor será a aceitação e a recuperação do paciente”, detalha.
A captação dos órgãos ocorreu na noite de sexta-feira, e os pacientes foram admitidos na mesma data. Os exames e a preparação foram realizados durante a madrugada. As cirurgias aconteceram no sábado (4), uma pela manhã e outra à tarde, conduzidas pela mesma equipe, com intervalo programado para garantir organização e continuidade da assistência.
A responsável técnica pelo serviço de transplantes do Hospital de Base, Viviane Brandão, explica que o procedimento mobiliza toda a unidade. “O hospital todo se mexe, se empenha para fazer isso acontecer. Existem vários exames que precisam ser feitos antes para garantir que os pacientes estejam preparados para receber o órgão. Por isso, precisamos de ajuda do Laboratório, da Radiologia, da equipe cirúrgica. A gente sempre movimenta o hospital inteiro”, conta.
Para João, que é cristão, a coincidência com a Páscoa tornou o momento ainda mais simbólico. “Já era uma data importante, mas agora eu renasci junto com Jesus. A partir de agora, vou focar em ficar bem e melhorar”, comemora.
Esperança que se renova
Além da complexidade técnica, o transplante também mobiliza emocionalmente os profissionais envolvidos. A enfermeira do serviço de transplantes, Alice Caroline Souza, celebra as doações recebidas pelos pacientes. “Nós ficamos muito felizes, porque são pessoas que acompanhamos por muitos momentos e vimos passar por muitas dificuldades, como as dores das internações, os desgastes físicos e emocionais. E quando acontece uma compatibilidade assim, vemos o resultado de todo o nosso esforço. É muito gratificante”, afirma.
Guilherme Coaracy reforça a importância de comunicar à família o desejo de ser doador. “Quando a família sabe da sua vontade, a decisão de doar é mais fácil de ser tomada, mas quando eles não foram informados, é uma decisão extremamente difícil e que precisa ser tomada em um momento de dor e de luto. Desse modo, quando essa conversa acontece antes, você tira o peso dos seus familiares terem que imaginar qual o seu desejo”, explica.
“O hospital todo se mexe, se empenha para fazer isso acontecer. Existem vários exames que precisam ser feitos antes para garantir que os pacientes estejam preparados para receber o órgão. Por isso, precisamos de ajuda do Laboratório, da Radiologia, da equipe cirúrgica. A gente sempre movimenta o hospital inteiro”
Viviane Brandão, responsável técnica pelo serviço de transplantes do HBDF
O médico também destaca o impacto da doação. “É um gesto que garante uma segunda chance para os pacientes, é uma mudança de vida. Com isso, nós damos mais tempo e também mais qualidade para eles, e isso não tem preço”, ressalta.
Em recuperação, Lucas diz que se sensibiliza com a dor da família do doador, mas celebra a nova oportunidade. “Queria poder dar um abraço forte na família. Sei que não é fácil para eles, mas assim eles ajudaram outras vidas”, diz.
Lista de espera
O transplante renal é indicado para pacientes com doença renal crônica em estágio avançado, quando os rins deixam de desempenhar adequadamente suas funções. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), mais de 60 mil transplantes foram realizados no Brasil desde 2013, sendo o procedimento mais frequente no país.
A compatibilidade entre doador e receptor é um dos principais critérios para a realização do transplante, considerando fatores como tipo sanguíneo e características imunológicas.
Para ingressar na lista de espera, o paciente passa por uma série de exames e avaliações. O cadastro é realizado pelo médico assistente e encaminhado à Central Estadual de Transplantes do Distrito Federal (CET-DF), responsável pela coordenação das atividades no âmbito do DF.
*Com informações do IgesDF*
**Para preservar a identidade, os nomes foram substituídos por fictícios
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