Anvisa libera 5 novas canetas de semaglutida no país

Anvisa libera 5 novas canetas de semaglutida no país

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a comercialização de cinco novos medicamentos à base de semaglutida no Brasil. A decisão foi tomada após o fim da patente da molécula original, ocorrido em março, e amplia para seis o número de canetas do tipo liberadas pelo órgão regulador desde então.

Todas as novas formulações foram aprovadas para o tratamento do diabetes tipo 2, com dosagens de até 1,34 mg/mL, destinadas a pacientes adultos que não podem utilizar metformina por intolerância ou contraindicação, sempre associadas à dieta e à prática de exercícios físicos.

Quais são os novos medicamentos aprovados

Os produtos autorizados pela Anvisa foram Semavy, da Cosmed, subsidiária da Hypera Pharma; Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil; Zempneo, da Brainfarma; e Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica. Em junho, a agência já havia liberado o Ozivy, da EMS, primeira semaglutida nacional aprovada após a queda da patente.

Segundo a Anvisa, desde agosto do ano passado a análise dos chamados análogos de GLP-1 — classe que inclui as conhecidas “canetas emagrecedoras” — tem sido priorizada a pedido do Ministério da Saúde, que busca ampliar a oferta desses remédios no mercado nacional e viabilizar sua entrada no Sistema Único de Saúde (SUS). Do total de 24 medicamentos submetidos por meio de edital específico, 11 já tiveram a análise concluída, resultando nas seis aprovações.

Quando as novas canetas chegam às farmácias

Entre os produtos aprovados, o Semavy deve ser o primeiro a chegar às prateleiras, em prazo estimado de dois meses, comercializado pela marca Mantecorp, do laboratório Hypera Pharma. O CEO da farmacêutica, Breno Oliveira, informou que a empresa já pretende buscar aprovação também para dosagens mais elevadas, indicadas ao tratamento de obesidade e sobrepeso associados a comorbidades.

O executivo destacou que o mercado de análogos de GLP-1 movimentou R$ 15,6 bilhões no Brasil, com crescimento de 111% em 12 meses até maio, segundo dados da consultoria IQVIA. Segundo ele, os preços já recuaram cerca de 60% com a chegada de novas opções, e a meta da empresa é atuar em uma faixa mais acessível ao consumidor, além de oferecer programas de desconto para pacientes cadastrados.

O Semavy será produzido em parceria com a farmacêutica indiana Sun Pharma, que também teve aprovada uma versão própria do medicamento, o Seemasun, no país.

Diferença entre semaglutida sintética e biológica

Assim como o Ozivy, os cinco novos medicamentos aprovados são compostos por semaglutida sintética, produzida por síntese química, o que resulta em moléculas menores e mais estáveis. Já os medicamentos originais, Ozempic e Wegovy, têm origem biológica, obtidos a partir de processos biotecnológicos mais complexos.

De acordo com a Anvisa, ambos os tipos passam pelos mesmos critérios de aprovação, com testes comparativos ao medicamento de referência para garantir equivalência de efeitos. Atualmente, 68% de todas as solicitações de registro de injetáveis para obesidade e diabetes protocoladas na agência são de versões sintéticas.

Esses medicamentos atuam simulando a ação do hormônio GLP-1 no organismo, estimulando a produção de insulina no pâncreas, reduzindo a velocidade da digestão no estômago e ativando a sensação de saciedade no cérebro, o que contribui para a perda de peso. A prescrição exige receita médica especial, em duas vias.

Perspectivas de acesso pelo SUS

A aprovação pela Anvisa não garante a incorporação imediata do medicamento à rede pública de saúde. Antes disso, é necessária uma análise de custo-benefício conduzida por equipe técnica do Ministério da Saúde. Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) já havia dado parecer contrário à inclusão do medicamento, citando impacto orçamentário superior a R$ 8 bilhões.

Ainda assim, a chegada de novas alternativas mais baratas ao mercado pode alterar esse cenário. O Ministério da Saúde já conduz um projeto-piloto em parceria com a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk para avaliar o uso da semaglutida no tratamento da obesidade em unidades do SUS no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. A empresa também protocolou novo pedido de inclusão do medicamento na rede pública, com desconto de 59% no preço.

Conclusão

A entrada de novos concorrentes no mercado brasileiro de semaglutida representa uma mudança significativa no acesso da população a tratamentos para diabetes e, futuramente, obesidade. Com a queda gradual nos preços e o aumento da concorrência entre laboratórios nacionais e internacionais, cresce também a expectativa de que o medicamento possa, no futuro, integrar de forma mais ampla a lista de opções oferecidas pelo SUS.

O que é semaglutida?

É uma substância que simula o hormônio GLP-1, usada no tratamento de diabetes tipo 2 e, em doses maiores, no combate à obesidade, promovendo controle glicêmico e sensação de saciedade.

Quais as novas canetas aprovadas pela Anvisa?

Foram aprovados Semavy, Owozy, Seemasun, Zempneo e Orsema, todos indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 em adultos.

Quando os novos medicamentos chegam às farmácias?

O Semavy, da Hypera Pharma, deve estar disponível em cerca de dois meses após a aprovação da Anvisa.

Esses medicamentos serão oferecidos pelo SUS?

Ainda não há decisão definitiva. A incorporação depende de análise técnica do Ministério da Saúde, que já rejeitou uma proposta anterior por impacto orçamentário elevado.

Qual a diferença entre semaglutida sintética e biológica?

A sintética é produzida por síntese química, resultando em moléculas menores e estáveis, enquanto a biológica é obtida por processos biotecnológicos mais complexos, como no Ozempic e Wegovy.

Fonte: Brasília Agora

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