Portanto, o intuito da palestra concedida pelo delegado da Polícia Federal, Thiago Medeiros, é capacitar educadores em relação à temática da violência sexual infantojuvenil, perfis e sinais identificadores do abuso, bem como quanto à atuação em âmbito escolar e quais procedimentos a serem adotados no caso de suspeita de abuso sexual (abrangendo tópicos de segurança online e offline).
Segundo dados oficiais do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de 2024, a cada 100 mil habitantes, 41,2 já foram vítimas de estupro de vulnerável, e 80% dessas vítimas são menores de 18 anos. Um dos dados mais impressionantes é que 84,7% dessas pessoas foram abusadas por pessoas conhecidas ou familiares. Uma das espectadoras da palestra, a servidora da Unidade de Gestão Articuladora da Educação Básica (Unigaeb), Natalia Acioly, comentou: “A escola é um lugar onde tudo eclode, inclusive esses problemas sociais, de abuso infantil, tudo aparece dentro da escola, é o primeiro refúgio que a criança tem, depois do seu convívio mais direto com seus familiares, então, geralmente, ela procura um professor, alguém da escola para tentar ajudá-la a sair dessa situação”. O delegado Thiago salientou que não há um perfil definido de abusador, pode ser qualquer um. No entanto, ressaltou alguns pontos importantes que podem ajudar na identificação de casos.
A equipe da Assessoria Especial da Cultura de Paz nas Escolas organizou o encontro dos servidores com o delegado da Polícia Federal
– Aspectos que favorecem a vitimização de crianças e adolescentes:
- Grande quantidade de horas em redes sociais e pouca vigilância dos responsáveis;
- Crianças carentes emocionalmente (necessidade excessiva de afeto e atenção);
- Existência de alguma vulnerabilidade prévia (introspecção, deficiências, depressão, etc);
- Histórico de bullying;
- Ambiente familiar conflituoso.
– Sinais identificadores físicos:
- Dor ou irritação na área anogenital ou alterações clínicas (hematomas, assaduras constantes, corrimentos, sangramento, infecção de repetição, infecções urinárias, etc);
- Dificuldades em urinar ou evacuar, escapes frequentes (diurnos ou noturnos);
- Doenças sexualmente transmissíveis;
- Gestação.
– Sinais identificadores sociais:
- Mudanças comportamentais radicais, súbitas e incompreensíveis (oscilações de humor, agressividade, medo e/ou pânico);
- Tendência ao isolamento social, apresentando poucas relações com colegas e companheiros;
- Tristeza, abatimento profundo ou depressão crônica;
- Culpa e autolesão;
- Recusa de estabelecer contato físico;
- Medo de pessoas ou lugares específicos (casa, escola, etc);
- Comportamentos infantis repentinos (urinar nas calças, na cama, em público);
- Silêncio predominante;
- Dificuldade de concentração e queda de rendimento escolar;
- Curiosidade sexual, interesse ou conhecimento súbito e não usual para sua idade sobre questões sexuais.
– Para os educadores terem melhores condições de identificar e acolher:
- Observar sempre seus alunos, criando vínculos com eles, principalmente com os “mais problemáticos” ou com os mais “tímidos”;
- Manter registros sobre o desempenho/histórico escolar do aluno;
- Conversar com o (a) aluno (a) quando perceber alterações no comportamento e humor;
- Demonstrar disponibilidade para conversar e buscar um ambiente acolhedor para a conversa;
- Ouvir atentamente, sem interromper, e não pressionar para obter informações;
- Utilizar linguagem acessível a criança/adolescentes;
- Evitar perguntas desnecessárias, perguntar somente o necessário para saber o que fazer em seguida;
- Levar a sério tudo o que ouvir, sem julgar, criticar ou duvidar do que a criança-adolescente diz;
- Manter-se calmo e tranquilo, sem reações extremadas ou passionais;
- Expressar apoio, solidariedade e respeito.
*Com informações da Secretaria de Educação do DF











