Estudo revela como gênero e raça travam ascensão social no Brasil

Um levantamento inédito lançou luz sobre um dos entraves mais persistentes da sociedade brasileira: a dificuldade de romper o ciclo da pobreza entre gerações. O Atlas da Mobilidade Social, plataforma pública criada pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) em conjunto com o grupo de pesquisa Prospera Lab, demonstra que fatores como cor da pele, sexo e a renda dos pais continuam sendo determinantes para o futuro econômico dos brasileiros.
Raça e gênero como barreiras de ascensão
Os dados coletados mostram um cenário desigual quando o recorte é racial. Entre jovens brancos nascidos em lares situados entre os 25% mais pobres do país, pouco mais de um terço permanece nessa mesma faixa de renda na vida adulta. Já entre os não brancos, essa proporção ultrapassa a metade, evidenciando que a cor da pele amplia significativamente as chances de permanência na pobreza.
O recorte de gênero segue lógica semelhante. Enquanto cerca de um terço dos homens nascidos em famílias pobres permanece no mesmo grupo quando adultos, entre as mulheres esse índice praticamente dobra. A combinação entre raça e gênero aprofunda ainda mais o quadro: mulheres não brancas apresentam os piores índices de mobilidade entre todos os grupos analisados.
O peso da origem familiar
Segundo a pesquisa, nascer em uma família de baixa renda reduz drasticamente as chances de alcançar patamares econômicos superiores. A maior parte dos jovens oriundos dos 25% mais pobres permanece nesse mesmo grupo quando adulta, e apenas uma pequena fração consegue chegar aos estratos mais ricos da população.
Já entre os filhos de famílias de renda intermediária ou alta, as chances de manter ou melhorar a posição socioeconômica são significativamente maiores, o que reforça o peso da herança familiar na trajetória de vida dos brasileiros.
Estagnação entre gerações
Ao comparar duas gerações distintas, o estudo identificou apenas variações discretas na capacidade de ascensão social, sinal de que a estrutura de desigualdade se mantém praticamente inalterada ao longo do tempo, mesmo com o avanço de políticas públicas voltadas à redução da pobreza.
Diferenças regionais expõem desigualdade territorial
O Atlas também mapeou diferenças expressivas entre as regiões brasileiras. Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste concentram as maiores chances de mobilidade social, enquanto Norte e Nordeste apresentam os piores índices, com maior tendência de reprodução da pobreza entre gerações. Municípios específicos evidenciam esse contraste, com realidades opostas dentro do próprio território nacional.
Educação como fator determinante
Entre os elementos analisados, a qualidade da educação básica se destacou como o principal fator associado à mobilidade social ascendente. Municípios com melhores indicadores educacionais tendem a oferecer mais oportunidades de progresso econômico às novas gerações.
De acordo com o presidente do Imds, Paulo Tafner, a redução das desigualdades de origem depende de políticas educacionais aliadas a estratégias econômicas capazes de ampliar oportunidades ao longo da vida, permitindo que gestores públicos utilizem as evidências do estudo para formular políticas mais eficazes.
O levantamento foi construído a partir de metodologia acadêmica reconhecida internacionalmente, utilizando dados administrativos de órgãos como Receita Federal, Ministérios do Trabalho e do Desenvolvimento Social, além de pesquisas domiciliares do IBGE.
Fonte: Brasília Agora
O que é o Atlas da Mobilidade Social?
É uma plataforma pública que mede as chances de brasileiros mudarem de faixa de renda ao longo das gerações, considerando fatores como raça, gênero e região.
Quem tem menos chance de mobilidade social no Brasil?
Mulheres não brancas nascidas em famílias de baixa renda apresentam os menores índices de ascensão social entre todos os grupos analisados.
Qual região do país tem mais mobilidade social?
Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste concentram as maiores chances de ascensão econômica entre gerações, segundo o levantamento.
A educação influencia na mobilidade social?
Sim. Municípios com melhores indicadores educacionais apresentam maiores chances de mobilidade ascendente entre os jovens.
A mobilidade social melhorou entre gerações?
O estudo aponta apenas pequenas variações positivas entre as gerações analisadas, indicando que a desigualdade de oportunidades permanece praticamente estável.






