“Não tenho mais nada”: moradoras do Arapoanga relatam desespero após temporal destruir casas

“Não tenho mais nada”: moradoras do Arapoanga relatam desespero após temporal destruir casas

O temporal que atingiu o Distrito Federal na quarta-feira (16/9) deixou famílias desabrigadas depois que rajadas de vento arrancaram telhados e derrubaram muros de residências. No bairro Nossa Senhora de Fátima, no Arapoanga, a dona de casa Juliana Sousa Santos viu a própria casa ser totalmente destruída.

“Perdi tudo. Não tenho mais nada. Não deu nem para resgatar meus documentos e materiais das minhas crianças, que acabaram não indo para escola por causa disso”, contou. Segundo ela, o vento forte chegou logo depois do início da chuva e começou a “levar tudo” enquanto ela estava em casa com o marido e os filhos. “Meu desespero foi grande, porque eu saí no meio da rua, corri e me abriguei na casa de uma vizinha, que é de tijolo. Porém, a minha já foi toda sendo puxada imediatamente”, relatou.

“Só começamos a orar”

No assentamento Terra Nova, Roselma Martins Lima também descreveu estragos que aconteceram “muito rápido”. “Não deu tempo de fazer nada. Eu estava junto dos meus quatro filhos e dois netos em casa. Quando percebemos a chuva forte, um poste já havia caído, enquanto o telhado de casa estava desmoronando”, disse. A família chegou a temer ser atingida. “Nós só começamos a orar e graças a Deus não aconteceu nada. Mas é um milagre, porque o poste caiu dentro do lote bem na minha porta da área.”

Roselma e os familiares foram encaminhados à Administração Regional do Arapoanga ainda na noite de quarta e aguardam orientação sobre o retorno para casa, já que eucaliptos próximos ao imóvel correm risco de cair. De acordo com o administrador regional Sérgio Araújo, pelo menos 11 pessoas foram abrigadas na administração.

O Corpo de Bombeiros informou que as residências atingidas ou localizadas em áreas de perigo serão interditadas preventivamente até que os riscos sejam eliminados. A Defesa Civil atua na cidade desde quarta-feira.

Áreas afetadas

No Arapoanga, vento e granizo levaram telhados e derrubaram muros, árvores e postes, com registros de postes caídos na DF-130 e casas afetadas principalmente no Terra Nova e nos bairros Favelinha e Nossa Senhora de Fátima. Em Planaltina, uma oficina ficou sem telhado, muros e paredes, e os destroços caíram sobre os veículos que estavam no local. Em Samambaia, moradores registraram granizo, casas destelhadas e ventania em um ponto de ônibus, onde motoristas e até um cachorro buscaram abrigo.

O Governo do Distrito Federal montou uma força-tarefa com administrações regionais, Defesa Civil e Neoenergia. A governadora Celina Leão sobrevoou as áreas atingidas na manhã de quinta-feira (17/9) e anunciou a instalação de um centro de operações. Segundo o Inmet, as rajadas chegaram a 84,24 km/h na estação do Gama, que também registrou o maior acumulado de chuva, 24,8 milímetros.

Fonte: Metrópoles | Foto: Reprodução

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