Crédito do Move Brasil anda devagar e frustra meta do governo Lula

O programa Move Brasil, criado pelo governo federal para facilitar a compra de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas, enfrenta dificuldades para deslanchar. Reunião recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com integrantes de sua equipe expôs o pessimismo interno quanto ao volume de recursos que efetivamente será emprestado até o fim da iniciativa.
Segundo apuração, mesmo com R$ 30 bilhões disponibilizados em linha de crédito, a expectativa mais favorável dentro do governo é que apenas cerca de um terço desse montante seja de fato contratado pelos beneficiários.
Estimativas abaixo do esperado
Fontes ouvidas indicam que o cenário considerado mais provável prevê contratações entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões, valor que representaria o dobro do que foi liberado desde maio, quando o programa foi lançado e rapidamente se tornou um dos destaques da estratégia de comunicação do governo em ano eleitoral.
Após o encontro com auxiliares, Lula teria manifestado insatisfação com a postura das instituições financeiras, acusadas de dificultar a liberação dos empréstimos mesmo havendo garantia da União para parte das operações.
Origem política e resistências internas
O desempenho aquém do esperado não surpreende parte da equipe governamental, que já via com ressalvas essa modalidade de crédito voltada à compra de automóveis. A mesma avaliação se aplica à linha destinada à aquisição de motos e bicicletas por entregadores.
Relatos indicam que a proposta não partiu da área econômica, mas da Secretaria de Comunicação da Presidência, que buscava uma resposta ao público de motoristas de aplicativo — segmento em que o governo registra avaliação negativa nas pesquisas de opinião. A formatação final do programa só foi definida após disputas internas significativas.
Argumento a favor do controle da inflação
O ritmo lento das contratações também passou a ser usado como argumento pela equipe econômica para sustentar que o impacto do Move Brasil sobre a economia é limitado. Com isso, o governo tenta rebater críticas de que a iniciativa estaria em rota de colisão com a política do Banco Central, que mantém juros elevados para conter a inflação.
O caso ilustra as tensões entre a necessidade de resposta política a um público-alvo estratégico e as preocupações da área econômica com o uso eficiente dos recursos públicos, em meio ao cenário eleitoral que se desenha para o próximo pleito.
O que é o Move Brasil?
É um programa do governo federal que oferece linha de crédito para motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores adquirirem veículos, motos ou bicicletas.
Quanto o governo previa emprestar?
A linha de crédito disponibilizada soma R$ 30 bilhões, mas a expectativa interna é de que apenas uma fração desse valor seja efetivamente contratada.
Por que os empréstimos estão abaixo do esperado?
Segundo relatos internos, os bancos estariam dificultando a concessão dos financiamentos, mesmo com garantia federal para parte das operações.
Qual a origem do programa?
A proposta partiu da Secretaria de Comunicação da Presidência, e não da equipe econômica, com o objetivo de atender um público em que o governo tem baixa avaliação.
O programa afeta a política de juros do Banco Central?
A equipe econômica argumenta que o baixo volume de contratações torna o impacto do programa irrelevante para a política monetária.
Fonte: Brasília Agora







