Anvisa aprova Ozivy, semaglutida sintética da EMS indicada para diabetes tipo 2

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Ozivy, medicamento à base de semaglutida da farmacêutica brasileira EMS. Publicada em 26 de maio, após o fim da patente da semaglutida no país, a decisão torna o Ozivy a primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic autorizada para venda no Brasil.
Apesar da fama de “caneta emagrecedora” nas redes, a indicação aprovada é outra: tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à dieta e aos exercícios. O remédio pode ser usado sozinho quando a metformina não for adequada, por intolerância ou contraindicação, ou em conjunto com outros antidiabéticos.
Não é genérico
O princípio ativo é o mesmo do Ozempic e do Wegovy, mas a Anvisa esclarece que o Ozivy não é genérico, já que produtos biológicos não têm genéricos como os medicamentos comuns. Ele foi classificado como medicamento novo, uma versão sintética de um produto originalmente biológico, e passou por avaliação própria de eficácia, segurança e qualidade. O pedido chegou à agência em 2023.
A semaglutida é um agonista do receptor GLP-1: imita um hormônio intestinal ligado ao controle da glicose e da saciedade. Em formulações e doses específicas, a substância também pode ser indicada para obesidade, mas a autorização do Ozivy se restringe ao diabetes tipo 2.
Apresentação e conservação
O Ozivy será vendido em caneta preenchida para aplicação semanal, nas doses de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg. Ele deve ser mantido refrigerado, entre 2 °C e 8 °C, antes e depois de iniciado o uso, diferentemente do Ozempic, que após aberto pode ficar por tempo limitado em até 30 °C.
A chegada às farmácias ainda depende da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A EMS disse à imprensa que pretende disponibilizar o produto em cerca de 30 dias e sinalizou preço menor que o dos concorrentes, mas o valor final depende da regulação e da estratégia da empresa.
Mercado aberto após a patente
A patente do Ozempic expirou no Brasil em março de 2026. A Anvisa havia recebido 17 pedidos de registro de medicamentos com semaglutida; em março, oito estavam em análise e nove aguardavam avaliação. Depois da aprovação do Ozivy, outros cinco sintéticos e um biológico seguiam em análise, além de processos na fila.
A agência lembra que remédios da classe GLP-1 exigem receita médica em duas vias e não devem ser usados por conta própria nem comprados fora de canais regulares. A popularização das canetas aumentou riscos como automedicação, compra pela internet, falsificação e compartilhamento de canetas.
Entre os efeitos colaterais possíveis estão náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desconforto abdominal, além de hipoglicemia quando associada a outros antidiabéticos, como insulina ou sulfonilureias. Por isso, o tratamento deve considerar histórico clínico, exames, outros medicamentos, risco cardiovascular e funções renal e hepática, com acompanhamento ao longo do tempo. Para quem busca emagrecer, a notícia não é um aval para automedicação: a escolha de qualquer tratamento depende de avaliação profissional individual.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Marius Vassnes/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)







