Calor, poluição e desinformação: a relação entre mudanças climáticas e câncer

Calor, poluição e desinformação: a relação entre mudanças climáticas e câncer

Os efeitos das mudanças climáticas vão além do clima e da biodiversidade e chegam à saúde humana. Estudos recentes indicam que as alterações ambientais podem ampliar a exposição a diversos fatores de risco associados ao câncer, tornando o cenário de saúde pública ainda mais desafiador.

Como o clima interfere

  • Calor e radiação: ondas de calor mais longas elevam o risco de desidratação e problemas cardiovasculares, e a maior incidência de radiação ultravioleta em períodos quentes pode aumentar os casos de câncer de pele. O sol sem proteção é uma das principais causas do câncer de pele não melanoma, que inclui os tipos basocelular e espinocelular.
  • Qualidade do ar: poluentes como o dióxido de nitrogênio e partículas finas, emitidos por veículos e indústrias, estão ligados a cânceres de pulmão, bexiga e mama. As temperaturas mais altas também favorecem a formação de ozônio.
  • Alimentação: mais pragas nas lavouras podem aumentar o uso de agrotóxicos, cuja exposição prolongada se relaciona a cânceres de fígado, mama e linfoma. A insegurança alimentar ainda empobrece a dieta em fibras e antioxidantes, elevando o risco de tumores intestinais.
  • Infecções: vírus associados ao câncer, como os das hepatites B e C e o HPV, podem se espalhar mais rapidamente, afetando o risco de tumores de fígado, colo do útero, garganta e pênis.
  • Desastres e deslocamentos: enchentes, tempestades e incêndios forçam migrações, geram condições de vida precárias e dificultam o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento.

Infodemia sobre a doença

No Dia Mundial do Câncer, em 4 de fevereiro, pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA) chamaram atenção para o volume de informações falsas sobre a doença nas redes sociais. Artigo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia descreve uma infodemia, com mitos sobre causas, tratamentos sem comprovação e formas de prevenção sem base científica, o que pode atrasar diagnósticos. Os autores defendem monitoramento constante e respostas rápidas.

A publicação conclui que as políticas de saúde precisam incorporar a questão climática, e que atitudes como usar protetor solar, reduzir a exposição à poluição e manter uma dieta equilibrada ajudam a diminuir os riscos, junto com a colaboração entre governos, instituições e sociedade.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons (CC0)

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