Chuvas fora de época na seca reativam ovos do Aedes e exigem vigilância contra a dengue no DF

As chuvas atípicas registradas em plena estação seca reacenderam o alerta contra a dengue no Distrito Federal. Mesmo com o frio do inverno reduzindo a atividade do Aedes aegypti, o risco de proliferação continua. Segundo a Secretaria de Saúde do DF, os ovos do mosquito podem sobreviver até 400 dias sem água, grudados nas paredes de vasos, baldes, pneus, caixas e calhas. Basta um pouco de chuva para que eles eclodam e deem origem a uma nova geração de mosquitos.
Por isso, a prevenção não deve ser interrompida na estiagem. Ao contrário: o período seco é a melhor hora para eliminar ovos e criadouros antes da volta das chuvas regulares.
Recipiente seco não é sinônimo de seguro
A fêmea deposita os ovos nas paredes internas dos recipientes, perto da linha d’água. Depois que o local seca, eles continuam aderidos por meses. Por isso, esvaziar não basta: sempre que possível, é preciso esfregar as paredes com bucha, água e sabão. No frio, o mosquito se reproduz mais devagar, mas as temperaturas do DF não interrompem o ciclo, e hábitos como regar plantas, guardar água em baldes e manter piscinas sem tratamento favorecem sua sobrevivência.
Vistoria semanal
A recomendação é inspecionar a casa após qualquer chuva, inclusive rápida, e reservar alguns minutos por semana para procurar focos:
- manter caixas-d’água e reservatórios bem fechados;
- limpar calhas, ralos e canaletas;
- retirar os pratos dos vasos ou enchê-los de areia até a borda;
- guardar baldes e garrafas de boca para baixo e não deixar tonéis destampados;
- descartar pneus e objetos sem uso;
- esfregar bebedouros de animais com bucha e sabão, não só trocar a água;
- manter piscinas tratadas e evitar água em lonas, toldos, tampinhas, brinquedos e bandejas de geladeira.
A Diretoria de Vigilância Ambiental mantém ações o ano todo nas regiões administrativas, com inspeções em casas, comércios, terrenos baldios e pontos estratégicos como borracharias, ferros-velhos e cemitérios. As equipes usam ovitrampas para monitorar o mosquito, drones para chegar a locais de difícil acesso, aplicação de inseticida em pontos selecionados, estações disseminadoras de larvicida e atividades educativas. Mas grande parte dos criadouros está dentro dos imóveis, e a participação dos moradores é indispensável.
Atenção aos sintomas
A dengue costuma causar febre alta repentina, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, cansaço, náuseas, manchas vermelhas e dor atrás dos olhos. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, falta de ar e sensação de desmaio são sinais de alerta de gravidade. Quem tiver sintomas deve procurar uma unidade de saúde, evitar remédios por conta própria, principalmente os que aumentam o risco de sangramento, e manter a hidratação com acompanhamento clínico. Dez minutos por semana de cuidado ajudam a proteger a família e a comunidade.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: NIAID/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)







