Comer para não ficar de fora: como o FOMO interfere nas escolhas alimentares

Aceitar a sobremesa sem vontade, pedir mais uma rodada ou ir ao jantar só porque todo mundo vai: esse comportamento tem nome. É o FOMO, sigla em inglês para Fear of Missing Out, o “medo de ficar de fora”, fenômeno cada vez mais presente na relação das pessoas com a comida e com o corpo.
De onde vem
O FOMO surge de uma sensação de escassez emocional, a ideia de que, se não participar agora, algo importante será perdido. Nas redes sociais, ele aparece como o receio de não estar por dentro ou de não pertencer ao grupo. Na alimentação, o mecanismo é o mesmo: medo de perder a experiência coletiva ou o prazer imediato que a comida representa.
No consultório, surgem frases como “comi porque todos estavam comendo”, “não quis parecer chata recusando” ou “saí da dieta porque estava com os amigos”. São sinais de uma relação com a comida guiada pela comparação social, e não pelas necessidades do corpo.
O ciclo de culpa
O FOMO coloca a pessoa em estado de alerta, com medo de exclusão e rejeição. Assim, as decisões passam a seguir estímulos externos, e não sinais internos como fome e saciedade, afastando da alimentação intuitiva. Depois de comer por impulso social, vêm arrependimento, autocrítica e, muitas vezes, restrição no dia seguinte, um vaivém que desgasta e enfraquece a confiança no próprio corpo. As redes ampliam o problema ao exibir pratos, corpos e estilos de vida idealizados, estimulando o comer “para mostrar”.
O caminho do JOMO
A alternativa é cultivar o JOMO (Joy of Missing Out), a alegria de não participar de tudo. Algumas atitudes ajudam:
- fazer uma pausa antes de comer e perguntar se há fome ou apenas medo de ficar de fora;
- observar com quem e em que situações o comportamento aparece;
- praticar o mindful eating, comendo com atenção a texturas, sabores e aromas;
- entender que respeitar o próprio limite também traz prazer;
- aceitar dizer “não” a um convite ou a um prato sem culpa.
No fundo, o FOMO alimentar diz respeito a pertencimento, aceitação e comparação. Reconhecer o padrão é o primeiro passo para que a comida volte a cumprir seu papel de nutrir, acolher e aproximar pessoas.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: PattayaPatrol/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)







