Diabetes tipo 5, ligado à desnutrição, passa a ser rastreado no Brasil a partir do Norte e Nordeste

Diabetes tipo 5, ligado à desnutrição, passa a ser rastreado no Brasil a partir do Norte e Nordeste

O Brasil vai começar a procurar casos de diabetes tipo 5, forma pouco conhecida da doença associada principalmente à desnutrição prolongada e que costuma atingir pessoas jovens e muito magras. A iniciativa foi anunciada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) em um congresso no Rio de Janeiro e deve começar pelas regiões Norte e Nordeste, onde há mais pessoas em situação de insegurança alimentar. O objetivo é estimar quantos brasileiros vivem com a condição e identificar pacientes que podem ter recebido diagnóstico de outro tipo de diabetes.

O que é o tipo 5

Casos semelhantes são descritos há mais de 70 anos, com nomes como diabetes relacionado à desnutrição ou diabetes tropical. Em 2025, especialistas reunidos na Índia propuseram a denominação diabetes tipo 5, depois formalizada no Congresso Mundial da Federação Internacional de Diabetes (IDF). Segundo a IDF, a falta prolongada de nutrientes na vida intrauterina, na infância ou na adolescência pode prejudicar o desenvolvimento das células beta do pâncreas, que continuam produzindo insulina, mas em quantidade insuficiente.

O perfil difere do tipo 2. A condição aparece sobretudo em:

  • adolescentes e adultos jovens, muitas vezes com menos de 30 anos;
  • pessoas muito magras e com histórico de desnutrição;
  • populações de países de baixa e média renda expostas à insegurança alimentar.

A IDF estima entre 20 milhões e 25 milhões de pessoas com essa forma de diabetes no mundo, principalmente na Ásia e na África. No Brasil, não há dados confiáveis de prevalência. O país tem cerca de 16,6 milhões de adultos com diabetes, segundo estimativa da IDF citada pela SBD, a maioria do tipo 2.

Risco de diagnóstico errado

Como o tipo 1 também surge em jovens e independe do peso, as duas formas podem ser confundidas. No tipo 1, porém, o sistema imunológico ataca as células produtoras de insulina, enquanto no tipo 5 não há esse processo autoimune e a sensibilidade à insulina costuma estar relativamente preservada. Um paciente com tipo 5 tratado como tipo 1 pode receber insulina demais e ter hipoglicemia, que nos casos graves provoca confusão mental, convulsões e perda de consciência. A SBD já alertava em 2025 que alguns casos poderiam estar registrados como tipo 1 pela combinação de idade jovem e baixo peso.

Segundo a IDF, o tratamento pode envolver suporte nutricional, remédios que estimulam a secreção de insulina e doses menores de insulina quando necessário, mas os protocolos ainda estão em construção. A federação criou um grupo de trabalho para definir critérios diagnósticos, diretrizes de tratamento, um registro global de pacientes e capacitação profissional. Não há espaço para autodiagnóstico ou mudança de tratamento por conta própria.

Quem participa

Além da SBD, o projeto reúne a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a IDF e a Fiocruz, com estudos previstos na Unifesp e na UFRJ. A classificação ainda é debatida: um consenso internacional de 2025 apontou deficiência importante na secreção de insulina e ausência de autoanticorpos, mas outros pesquisadores questionam a diversidade dos pacientes, os critérios e a relação causal com a desnutrição. A meta é permitir diagnósticos mais precisos e tratamentos adequados a cada caso.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Reversing Your Diabetes Today/Wikimedia Commons (CC0)

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