Emagrecer rápido com acompanhamento rendeu mais resultado que perda gradual, diz estudo

Um ensaio clínico apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026), em Istambul, na Turquia, sugere que perder peso de forma rápida pode trazer resultados melhores do que o emagrecimento lento em adultos com obesidade, sem elevar o risco de recuperar os quilos no período de um ano.
Os autores, porém, deixam claro que a pesquisa não apoia dietas radicais nem restrições feitas por conta própria. O que foi testado é um programa estruturado, supervisionado, com metas definidas e uma fase dedicada à manutenção do peso.
Como o estudo foi feito
O trabalho foi conduzido pelo Vestfold Hospital Trust, na Noruega, em parceria com a empresa Roede AS, e reuniu 284 adultos com obesidade, divididos em dois grupos:
- Perda rápida: menos de 1.000 calorias por dia nas oito primeiras semanas, menos de 1.300 entre a 9ª e a 12ª semana e menos de 1.500 da 13ª à 16ª semana.
- Perda gradual: redução de 800 a 1.000 calorias em relação ao gasto diário estimado, com média de cerca de 1.400 calorias por dia.
Depois dessas 16 semanas, todos passaram por um mesmo programa de 36 semanas para evitar o reganho, com encontros presenciais em grupo, webinars, contatos por vídeo e telefone e ajustes progressivos na alimentação. A maioria optou por continuar emagrecendo nessa etapa.
Resultados
Nas primeiras 16 semanas, o grupo de perda rápida reduziu em média 12,9% do peso corporal, contra 8,1% do grupo gradual. Após um ano, a diferença se manteve: 14,4% contra 10,5%.
Os pesquisadores também avaliaram metas clínicas. Chegaram a um IMC igual ou inferior a 27 kg/m² 28,3% dos participantes do grupo rápido e 9,7% do gradual. Na relação cintura-estatura, indicador de risco cardiovascular, os percentuais foram de 33% e 18,4%. O grupo rápido também atingiu com mais frequência metas ligadas à redução do risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doença cardiovascular aterosclerótica e osteoartrite de quadril e joelho.
Segundo a autora principal, Line Kristin Johnson, uma perda inicial maior pode aumentar a motivação de alguns participantes, mas o estudo não investigou a fundo os aspectos psicológicos da adesão.
Ressalvas importantes
Os autores reforçam que o emagrecimento rápido exige acompanhamento profissional. Sem supervisão, há risco de dieta pobre em nutrientes, deficiências, abandono do tratamento e uso de métodos inseguros. O corpo também tende a reduzir o gasto energético e aumentar a fome após a perda de peso, o que torna essencial uma transição planejada para a manutenção.
A estratégia não costuma ser indicada para gestantes, lactantes, pessoas com doenças crônicas graves, pacientes com câncer, idosos frágeis, pessoas com transtornos alimentares ou alto risco de desenvolvê-los, nem para quem não consegue aderir a um acompanhamento estruturado. Outra limitação é que cerca de 90% dos participantes eram mulheres, o que dificulta generalizar os achados para homens.
Para os pesquisadores, a mensagem central é que a velocidade da perda de peso não parece ser o problema quando há estrutura, orientação profissional, suporte contínuo e plano de manutenção.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: franchise opportunities/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)







