Estudos ligam uso excessivo de óleos vegetais refinados a maior risco de câncer

Presentes em quase todas as cozinhas do país, os óleos vegetais refinados, como os de soja, milho e girassol, voltaram ao centro do debate científico. Estudos recentes sugerem uma possível relação entre o consumo excessivo e frequente desses produtos e um risco maior de tipos agressivos de câncer, entre eles os de mama, próstata e cólon.
Para especialistas em nutrição e oncologia, o problema está principalmente na composição desses óleos e na forma como são processados e usados no preparo dos alimentos.
Processamento, oxidação e ômega-6
O refino industrial utiliza temperaturas elevadas, que retiram impurezas mas também eliminam nutrientes. Nesse processo surgem subprodutos oxidativos, como aldeídos tóxicos, sobretudo quando o óleo é reaproveitado em frituras. Além disso, esses óleos têm muito ômega-6, nutriente necessário em pequenas quantidades, mas cujo excesso em relação ao ômega-3 está ligado a inflamação crônica, condição que a literatura científica associa ao surgimento e à progressão de tumores.
A nutricionista funcional Marina Lacerda, especialista em saúde preventiva, afirma que o risco envolve não só o tipo de óleo, mas a frequência, a quantidade e a forma de uso. Segundo ela, quando aquecido em altas temperaturas, como na fritura, o óleo forma compostos pró-inflamatórios e potencialmente cancerígenos, que ao longo do tempo podem contribuir para alterações nas células.
A especialista sugere preferir preparos com pouca ou nenhuma gordura aquecida, como assados, cozidos e alimentos no vapor. Quando o óleo for necessário, a indicação é escolher versões prensadas a frio e com menos ômega-6, como azeite de oliva extravirgem ou óleo de coco em preparos de baixa temperatura.
Trocas no dia a dia
- Azeite de oliva extravirgem: para saladas e preparos rápidos em fogo baixo.
- Óleo de abacate: tem ponto de fumaça alto e oxida menos.
- Ghee (manteiga clarificada): opção estável para cozimentos leves.
- Não reutilizar óleo de fritura: o reaproveitamento aumenta a formação de compostos tóxicos.
Barato e prático, o óleo refinado dificilmente sairá da rotina, mas repensar a quantidade e o modo de uso, com alternativas mais estáveis ao calor, pode contribuir para a prevenção de doenças crônicas.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Isaac Gyamfi Assumeng/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)







