Febre oropouche: entenda a doença que teve as primeiras mortes confirmadas no Brasil

O Ministério da Saúde confirmou na quinta-feira (25/7) duas mortes por febre oropouche. As vítimas eram jovens com menos de 30 anos que moravam no interior da Bahia. A doença é conhecida há quase 70 anos, mas foi a primeira vez que óbitos foram associados a ela. Pesquisadores de vários países já alertavam para o aumento de casos e para o risco de surtos e epidemias.
Causa e transmissão
Segundo o Ministério da Saúde, a febre é provocada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, da família Peribunyaviridae, identificado como Orthobunyavirus oropoucheense (OROV). Um estudo da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, aponta essa família como uma das maiores da virologia, com pelo menos 30 agentes infecciosos descritos; cinco deles já foram encontrados no Brasil, entre eles o OROV.
O vírus é passado principalmente pela picada do Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, presente em áreas úmidas e perto de reservatórios de água em todo o continente americano. Nas cidades, o pernilongo (Culex quinquefasciatus) é considerado outro possível transmissor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que o vírus já foi detectado em primatas não humanos e bichos-preguiça, e suspeita-se de infecção em algumas aves. Não há registro de transmissão direta entre pessoas, mas existe preocupação com a possível passagem da mãe para o bebê durante a gestação.
Sintomas
A incubação dura de quatro a oito dias, e o quadro lembra outras arboviroses, como a dengue:
- febre alta e repentina;
- dor de cabeça e dor atrás dos olhos;
- dores nas articulações;
- calafrios, náuseas e vômitos.
Os sintomas costumam durar de cinco a sete dias. Cerca de 60% dos infectados têm recaída após duas semanas, às vezes com sintomas mais fortes.
Gravidade, tratamento e prevenção
A literatura médica já citava complicações como encefalite e meningite, mas as mortes confirmadas são inéditas. Um óbito em Santa Catarina também estava sob investigação. Não há tratamento específico: a conduta é aliviar os sintomas, com repouso e acompanhamento médico, além do uso de repelente para evitar novas picadas.
Também não existe vacina. Para se proteger, recomenda-se evitar locais com muitos insetos, instalar telas finas em portas e janelas, usar roupas que cubram o corpo, aplicar repelente e manter o ambiente limpo. As autoridades reforçam a importância da vigilância, do diagnóstico rápido e de pesquisas sobre a transmissão vertical, tratamentos e vacinas.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Robert Webster/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)







