Fibermaxxing: a moda das redes que aposta em mais fibras tem base científica, mas pede equilíbrio

Fibermaxxing: a moda das redes que aposta em mais fibras tem base científica, mas pede equilíbrio

Tigelas coloridas com frutas, aveia, sementes e leguminosas tomaram as redes sociais sob o nome de fibermaxxing, algo como maximizar o consumo de fibras. A promessa inclui mais saciedade, intestino regulado, ajuda no controle do peso e proteção contra doenças crônicas. Diferentemente de muitas dietas da moda, a tendência tem respaldo científico, mas especialistas lembram que até o que faz bem pode ser exagerado.

O que é e por que cresceu

A prática consiste em aumentar bastante a fibra do dia a dia, muitas vezes buscando alcançar ou superar as recomendações oficiais, em torno de 25 g diários para mulheres e de 30 a 38 g para homens, conforme a diretriz. Não há um cardápio oficial: a ideia é montar refeições com frutas, verduras, legumes, grãos integrais, feijões, lentilha, grão-de-bico, sementes e castanhas, às vezes com suplementos de fibra em pó. O movimento ganhou força porque a maioria dos adultos não atinge a meta diária, em alguns países mais de 90% ficam abaixo, e porque cresce o interesse por microbiota, alimentação à base de vegetais e controle de peso, colesterol e glicemia.

Benefícios reconhecidos

  • Intestino e microbiota: a fibra alimenta bactérias benéficas, que produzem ácidos graxos de cadeia curta ligados a menos inflamação.
  • Glicose e peso: as fibras solúveis formam um gel que retarda a absorção da glicose e prolonga a saciedade.
  • Coração: estudos de grande porte associam dietas ricas em fibra a menos doença coronariana, AVC e alguns tipos de câncer, como o de cólon.
  • Humor: pela relação intestino-cérebro, pode haver efeito indireto positivo, embora essa área ainda esteja em estudo.

Quando o excesso atrapalha

Levado ao extremo, o fibermaxxing pode reduzir demais proteínas e gorduras saudáveis, causar gases, distensão, cólicas e até piorar a prisão de ventre se faltar água, além de diminuir a absorção de ferro, zinco e cálcio em pessoas vulneráveis. Quem tem síndrome do intestino irritável, doença inflamatória intestinal ou passou por cirurgia deve ter cautela, pois aumentar a fibra sem avaliação pode agravar os sintomas.

Para aderir com segurança, as orientações são aumentar a fibra aos poucos, priorizar alimentos in natura em vez de ultraprocessados enriquecidos, beber mais água, manter proteínas e gorduras boas no cardápio e, no caso de doenças prévias, uso de certos medicamentos ou cirurgias digestivas, conversar antes com médico e nutricionista. A conclusão dos especialistas: vale colocar a fibra no centro do prato, com variedade, moderação e atenção às necessidades de cada organismo.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: FitTasteTic/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

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