Incêndios e ar seco no DF: o que a fumaça faz com a respiração e como se proteger

Incêndios e ar seco no DF: o que a fumaça faz com a respiração e como se proteger

A estação seca no Distrito Federal traz, além do ar com pouca umidade e da longa ausência de chuvas, um aumento dos focos de incêndio em áreas de vegetação. Até 16 de agosto, o DF já somava 3.738 ocorrências desse tipo, sendo mais de mil apenas nos primeiros dias do mês. A fumaça gerada pelas queimadas pode alcançar regiões urbanas e causar desconforto respiratório mesmo em quem está longe das chamas, já que o vento transporta gases e partículas por grandes distâncias.

Por que a fumaça faz mal

A queima da vegetação libera no ar uma mistura de gases e partículas finas, o chamado material particulado. Quanto menores essas partículas, mais fundo elas chegam nos pulmões. A exposição irrita as vias aéreas e pode agravar doenças respiratórias já existentes. O ar seco piora o quadro: as mucosas do nariz e da garganta ficam ressecadas e os poluentes tendem a permanecer mais tempo suspensos.

Entre os sintomas mais comuns estão ardência nos olhos, irritação no nariz e na garganta, tosse seca, rouquidão, dor de cabeça, cansaço, chiado no peito, sensação de falta de ar e piora de alergias respiratórias. A intensidade varia conforme a quantidade de fumaça, o tempo de exposição e a saúde de cada pessoa. Em quem tem asma, a fumaça pode desencadear crises; em quem tem rinite, pode aumentar congestão e espirros. Quem já faz tratamento deve manter os medicamentos prescritos e buscar atendimento se houver piora importante.

O Ministério da Saúde aponta como grupos de maior risco crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas com asma, bronquite ou outras doenças pulmonares, cardiopatas e portadores de outras condições crônicas.

Medidas de proteção

  • Exercícios: a respiração acelerada durante a atividade física faz inalar mais partículas; por isso, a recomendação é reduzir atividades ao ar livre quando houver fumaça, trocando o treino por um local protegido ou diminuindo a intensidade.
  • Ambientes fechados: em episódios intensos, vale ficar em locais protegidos e fechar portas e janelas temporariamente. Climatizadores ou purificadores de ar, limpos e em bom funcionamento, podem ajudar.
  • Máscaras: modelos de tecido ou cirúrgicos não filtram bem as partículas finas. Se a exposição for inevitável, o Ministério da Saúde indica máscaras N95, PFF2 ou P100 bem ajustadas ao rosto. Ainda assim, reduzir o tempo de exposição é a medida mais eficaz.
  • Hidratação: beber mais água e outros líquidos mantém as mucosas úmidas; a lavagem nasal com soro fisiológico ajuda a aliviar o ressecamento e a remover parte das partículas.

Sinais de alerta

É preciso procurar atendimento em caso de falta de ar intensa ou que piora, dificuldade para respirar, chiado forte, dor ou pressão no peito, confusão, desmaio, lábios ou extremidades arroxeados ou agravamento importante de asma e outras doenças respiratórias. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas devem ser avaliados mais cedo diante de qualquer dificuldade respiratória.

Com milhares de incêndios registrados no DF em 2026, acompanhar a presença de fumaça e a qualidade do ar passa a ser tão importante quanto observar a umidade nesta época do ano.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Suzana Lemos/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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