Injeção semestral de lenacapavir evita todas as infecções por HIV em estudo com mulheres

Um medicamento injetável aplicado apenas duas vezes por ano alcançou 100% de eficácia na prevenção do HIV entre mulheres cisgênero, segundo um amplo estudo conduzido na África do Sul e em Uganda. O lenacapavir superou os comprimidos de profilaxia pré-exposição (PrEP) usados atualmente.
Como foi o estudo
O ensaio clínico Purpose 1 foi realizado em 25 centros sul-africanos e três ugandenses. Ele comparou a segurança e a eficácia do lenacapavir com as do Truvada e do Descovy, dois comprimidos de uso diário indicados para prevenir o HIV.
As participantes, mulheres de 16 a 25 anos, foram sorteadas para um dos três tratamentos e só souberam qual haviam recebido ao fim da pesquisa. O resultado:
- nenhuma das 2.134 mulheres que tomaram lenacapavir contraiu o vírus;
- 1,5% das que usaram Truvada foram infectadas;
- 1,8% das que usaram Descovy foram infectadas.
Como o remédio age
O lenacapavir é um inibidor do capsídeo, estrutura que protege o material genético do HIV. Ele é aplicado por injeção subcutânea a cada seis meses.
A pesquisadora Linda-Gail Bekker avalia que, se aprovado, o medicamento pode se tornar uma alternativa importante para mulheres cisgênero. A aplicação semestral tende a reduzir o estigma e a discriminação ligados ao uso diário de pílulas e pode facilitar a adesão.
Próximas etapas
O Purpose 1 entra agora em uma fase em que as participantes saberão qual medicamento receberam e poderão escolher a PrEP que preferem. Em paralelo, o estudo Purpose 2 avalia o lenacapavir em homens cisgênero, homens e mulheres transgênero e pessoas não binárias, com resultados previstos para o fim de 2024 ou início de 2025. Se os dados forem favoráveis, o remédio poderá ser submetido a agências reguladoras de todo o mundo.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Wheeler Cowperthwaite/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)







