Licenças por transtornos mentais sobem 82,7% no DF e passam de 14 mil trabalhadores

Licenças por transtornos mentais sobem 82,7% no DF e passam de 14 mil trabalhadores

Os afastamentos do trabalho por problemas de saúde mental cresceram de forma acentuada no Distrito Federal entre 2023 e 2024. Segundo o Ministério da Previdência Social, mais de 14 mil pessoas precisaram se licenciar por transtornos como ansiedade e depressão, alta de 82,7% em relação ao ano anterior.

O que explica o aumento

As causas são diversas, mas especialistas destacam as mudanças no mundo do trabalho depois da pandemia de covid-19. Durante o isolamento, muitos trabalhadores se adaptaram ao regime remoto, com rotina mais flexível. O retorno ao presencial, muitas vezes sem acolhimento adequado, pode ter contribuído para o aumento do sofrimento psíquico.

Há também características próprias do mercado de trabalho do DF. As diferenças de condições entre concursados, terceirizados e profissionais contratados como pessoa jurídica (PJ) geram desigualdades e insegurança. No caso dos PJs, a ausência das garantias da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) os deixa ainda mais vulneráveis quando adoecem.

Sobrecarga de tarefas, pressão por resultados, assédio e falta de políticas de cuidado nas empresas completam a lista de fatores apontados para a alta dos afastamentos.

Direitos e papel das empresas

Como os sintomas de ansiedade e depressão nem sempre são fáceis de perceber, o acompanhamento psicológico e o apoio das empresas são considerados fundamentais. O trabalhador com diagnóstico de transtorno mental pode se afastar por até 15 dias com atestado psicológico; depois desse prazo, o afastamento precisa ser pedido ao INSS, com perícia médica.

Especialistas defendem ambientes de trabalho saudáveis e livres de assédio. Programas de saúde mental, ações de bem-estar, flexibilidade de horários e promoção da qualidade de vida ajudam a prevenir o adoecimento dos funcionários.

Sinais de alerta

Os trabalhadores também devem ficar atentos a sinais como esgotamento físico e emocional, insônia, perda de interesse pelas atividades habituais e dificuldade para lidar com a rotina, e procurar ajuda profissional o quanto antes. A saúde mental, reforçam os especialistas, exige atenção contínua, cuidado especializado e relações de trabalho mais humanas.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Jadon Barnes/Wikimedia Commons (CC0)

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