Nem um pouquinho é seguro: o que o álcool faz com o corpo mesmo em doses pequenas

Beber em festas, encontros e momentos de lazer é algo bastante naturalizado no Brasil. Mas especialistas vêm reforçando o alerta de que mesmo pequenas quantidades de álcool podem prejudicar a saúde, e que os riscos vão muito além da embriaguez. A ideia de que um gole não faz mal pode passar uma falsa sensação de segurança: pesquisas indicam que não há nível totalmente seguro de consumo, sobretudo quando ele é frequente.
Da inflamação ao câncer
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool está ligado a mais de 200 doenças e condições, entre elas problemas no fígado e no coração, transtornos mentais, dependência e diversos tipos de câncer, como os de fígado, mama, esôfago, boca e cólon. O médico nutrólogo Rafael Cunha, especialista em saúde metabólica, lembra que o etanol é classificado pela Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC) como cancerígeno do grupo 1, o que significa haver evidências suficientes de que causa câncer em humanos, mesmo em doses pequenas.
Cérebro e fígado
O sistema nervoso central é muito sensível ao álcool. Doses baixas já afetam julgamento, autocontrole, memória e coordenação, e o uso regular pode provocar alterações químicas e estruturais permanentes. A psicóloga clínica Carolina Mendes observa que muitas pessoas bebem para relaxar ou aliviar a ansiedade, mas, como o álcool é depressor do sistema nervoso, no longo prazo ele pode agravar ansiedade, depressão e problemas de sono.
O fígado, que metaboliza a bebida, tem limite. O consumo frequente pode causar inflamação e evoluir para gordura no fígado (esteatose), hepatite alcoólica e, nos casos mais graves, cirrose. O álcool também atrapalha a absorção de nutrientes, desregula o metabolismo e enfraquece a imunidade.
Outros efeitos muitas vezes ignorados incluem:
- aumento da pressão arterial;
- alterações hormonais;
- prejuízos à microbiota intestinal;
- desregulação do apetite e do sono;
- danos ao coração e aos rins;
- envelhecimento precoce.
Segundo Rafael Cunha, não é preciso ter alcoolismo para sofrer danos: a frequência do consumo já é um fator de risco importante. Por isso, cresce o movimento por um consumo mais consciente ou pela abstinência voluntária, com campanhas como o Janeiro Seco (Dry January), que propõem uma pausa na bebida para observar as reações do corpo e da mente. Conhecer os efeitos reais do álcool é o primeiro passo para escolhas mais informadas.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Nenad Stojkovic/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)







