Nem uma taça é inofensiva: como o álcool afeta imunidade, cérebro e coração

Nem uma taça é inofensiva: como o álcool afeta imunidade, cérebro e coração

A bebida alcoólica está presente em festas, jantares, encontros e até no descanso depois de um dia pesado. Justamente por ser tão comum, muita gente acredita que pequenas quantidades não fazem mal. A ciência, porém, vem mostrando que o álcool não é neutro para o organismo.

Pesquisas recentes relacionam o consumo a dezenas de problemas de saúde, entre eles gastrite, úlceras, pancreatite, gordura no fígado, cirrose, doenças cardiovasculares, diabetes, demência e alguns tipos de câncer. Em parte dessas condições, o álcool é causa direta; em outras, eleva o risco ou piora quadros existentes. E não são só os destilados: cerveja, vinho, sidra, saquê, vermute e vinho do Porto também contêm etanol.

Defesas do organismo mais fracas

Um efeito pouco conhecido é a queda da imunidade. Mesmo doses pequenas podem atrapalhar células de defesa como macrófagos, neutrófilos e células natural killer, que combatem infecções e vigiam células alteradas. Beber muito em poucas horas pode comprometer a resposta imune por até 24 horas, e o uso frequente e prolongado aumenta a vulnerabilidade a doenças como pneumonia e tuberculose.

Relação com o câncer

O álcool pode danificar o DNA, aumentar a inflamação e interferir em processos celulares ligados ao surgimento de tumores. Nas mulheres, o câncer de mama é uma das principais preocupações; nos homens, o colorretal aparece entre os mais associados. Parar de beber reduz riscos futuros, embora não garanta a reversão de alterações já iniciadas. Quanto antes a pessoa reduz ou abandona o consumo, maior tende a ser o ganho.

Cérebro, pressão e coração

A bebida prejudica as conexões entre neurônios e pode contribuir para a perda de tecido cerebral em áreas ligadas à memória, ao planejamento e às decisões. O consumo regular é associado a maior risco de demência. Atenção, memória e raciocínio podem se recuperar após semanas ou meses sem álcool, mas danos de uso intenso e prolongado são mais difíceis de reverter.

A ideia de que pouca bebida protege o coração também perdeu força. Estudos associam até uma dose diária ao aumento da pressão sistólica, e o risco cardiovascular cresce conforme a quantidade. Por isso, muitas orientações médicas atuais indicam que quem não bebe não deve começar em busca de benefícios, e quem bebe deve reduzir ao máximo ou considerar parar.

A boa notícia é que diminuir ou interromper o consumo traz vantagens importantes, e o corpo pode recuperar parte dos danos, sobretudo quando a mudança ocorre antes que as alterações se tornem graves.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Chenspec/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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