Pais que bebem aumentam chance de filhos adolescentes beberem, mas diálogo e regras protegem

O consumo de álcool e outras drogas por pais e responsáveis está ligado a maiores chances de os adolescentes também experimentarem ou manterem o uso dessas substâncias. É o que mostra um estudo com dados de 4.280 jovens e seus cuidadores. A pesquisa indica, porém, que a forma de educar pode reduzir bastante esse risco, mesmo quando os adultos consomem álcool, cigarro, vapes ou maconha.
Estilo de criação faz diferença
O maior efeito protetor veio do estilo parental chamado autoritativo, que combina presença, vínculo, diálogo e regras claras, ou seja, acolhimento com monitoramento. O estilo mais rígido (autoritário) também se associou a menor risco para drogas, mas com efeito menor no caso do álcool. Posturas permissivas ou negligentes não mostraram proteção.
Os números
- Quando os pais bebem, a probabilidade de os filhos beberem sobe cerca de 24%; a de usarem duas ou mais drogas fica em torno de 6%.
- Quando os responsáveis usam várias substâncias, o risco estimado é de cerca de 17% para álcool e 28% para duas ou mais drogas.
- Quando os pais não usam nenhuma substância, a grande maioria dos jovens também não consome.
O levantamento faz parte de um projeto de intervenção comunitária para reduzir o consumo de álcool entre adolescentes, realizado em quatro pequenos municípios paulistas: Cordeirópolis, Iracemápolis, Salesópolis e Biritiba-Mirim. Os dados foram coletados entre 2023 e 2024, com jovens de idade média de 14,7 anos e proporção semelhante de meninos e meninas. Entre os adolescentes, 19,9% haviam bebido no último mês e 11,4% relataram episódios de consumo excessivo; entre os responsáveis, os índices foram de 56,4% e 20,3%.
Beber em casa ainda pesa
Mesmo com boas práticas de criação, o hábito de beber dentro de casa continuou associado ao consumo pelos adolescentes, o que sugere que a naturalização do álcool aumenta o risco. O estudo lembra que o álcool contribui para doenças crônicas e prejuízos físicos e psíquicos, e que adiar o primeiro contato na adolescência é uma estratégia reconhecida para reduzir danos.
No Brasil, dados do Lenad III, divulgado em 2025, apontam que cerca de 3,2 milhões de adolescentes de 14 a 17 anos já beberam alguma vez, e 2,2 milhões relataram consumo no último ano. Em relação à maconha, aproximadamente 1 milhão de adolescentes declarou ter usado ao menos uma vez, cerca de metade deles no último ano.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: National Cancer Institute/Wikimedia Commons (Domínio público)







