Pesquisa brasileira aponta possíveis riscos do uso prolongado de omeprazol

Um grupo de pesquisadores brasileiros chamou a atenção para efeitos adversos que podem estar ligados ao uso prolongado do omeprazol e de medicamentos semelhantes, muito receitados para tratar azia, refluxo e gastrite.
O que o estudo observou
O trabalho, feito em modelo experimental, identificou que o uso contínuo desses remédios pode atrapalhar a absorção de nutrientes importantes, como o ferro e o cálcio. Com o passar do tempo, essas alterações podem estar relacionadas a deficiências nutricionais, entre elas a anemia, e a um possível prejuízo à saúde dos ossos, por comprometer a mineralização adequada.
O omeprazol faz parte dos inibidores da bomba de prótons (IBPs), classe que diminui a acidez do estômago para aliviar sintomas digestivos. Eles cumprem bem essa função, mas manter a acidez reduzida por muito tempo pode dificultar a absorção de minerais que dependem de um ambiente ácido para serem aproveitados pelo organismo.
Nos modelos avaliados, os cientistas notaram aumento do cálcio circulante no sangue, sinal de que o mineral pode estar sendo retirado dos ossos, processo capaz de reduzir a densidade óssea no longo prazo. Também houve queda nos níveis de ferro, fator que pode favorecer o surgimento de anemia.
Uso racional e acompanhamento
Os autores destacam que os resultados não significam que o medicamento deva ser abandonado em todas as situações. Em muitos casos, a prescrição é correta e necessária. O ponto de atenção é o uso por meses ou anos sem supervisão, especialmente além do período recomendado, o que pode elevar o risco de efeitos indesejados.
A recomendação é conversar com um profissional de saúde antes de manter o omeprazol por longos períodos, reavaliando de tempos em tempos se a medicação ainda é necessária e se há alternativas ou estratégias complementares, sempre com foco na saúde geral e na proteção nutricional.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: W.carter/Wikimedia Commons (CC0)







