Pesquisadores da USP alertam para a armadilha de colocar a proteína no centro da dieta

Com exceção dos casos de desnutrição grave, a população brasileira consome proteína em quantidade adequada às necessidades do organismo. A avaliação é de pesquisadores da Universidade de São Paulo ligados à Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis, em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens).
O que dizem os dados
Pesquisas populacionais brasileiras mostram que, mesmo nos grupos de menor renda, apenas uma pequena parcela das pessoas ingere menos proteína do que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ou seja, esse nutriente, isoladamente, não é o que limita uma dieta saudável no país.
Para os pesquisadores, o destaque dado à proteína na mídia e nas tendências alimentares pode funcionar como uma armadilha nutricional. Ao supervalorizar um único macronutriente, perde-se de vista o que realmente falta no prato, como frutas, verduras e legumes, cujo consumo está abaixo das recomendações de saúde pública no Brasil.
Foco na variedade
Segundo os especialistas, tratar a proteína como protagonista pode estimular práticas inadequadas, como o uso de suplementos e dietas hiperproteicas muitas vezes impulsionadas pelo marketing. A ênfase, defendem, deve estar em padrões alimentares variados e equilibrados, que considerem aspectos nutricionais, culturais e ambientais, com mais alimentos in natura e menos ultraprocessados.
Os autores destacam ainda que uma educação alimentar e nutricional consistente desde a infância ajuda a formar escolhas mais conscientes ao longo da vida, com uma alimentação diversificada e adequada à cultura de cada lugar.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Melsj/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)







