Sonhos intensos e pesadelos com melatonina: o que se sabe até agora

Sonhos intensos e pesadelos com melatonina: o que se sabe até agora

Produzida naturalmente pelo organismo e vendida como suplemento ou medicamento, a melatonina ajuda a regular o ciclo de sono e vigília. Parte de quem passa a usá-la, porém, relata sonhos mais realistas, intensos ou até pesadelos. Esses efeitos aparecem em relatos clínicos e na lista de possíveis reações adversas, mas ainda não há provas suficientes de que a substância provoque pesadelos diretamente em todas as pessoas.

A hipótese do sono REM

A explicação mais estudada envolve o sono REM (movimento rápido dos olhos), fase de intensa atividade cerebral em que surgem muitos dos sonhos mais elaborados. Algumas pesquisas sugerem que a suplementação pode, em certas situações, ampliar o tempo nessa fase, o que daria mais chances de sonhar e de lembrar dos sonhos. Como os períodos REM se alongam no fim da noite, sonhos próximos ao despertar tendem a ficar mais na memória. Essa relação, contudo, ainda é tratada como hipótese.

Vale lembrar que sonho vívido não é sinônimo de pesadelo: o primeiro é apenas detalhado e fácil de recordar, podendo ser agradável ou estranho, enquanto o pesadelo tem conteúdo negativo forte, que costuma causar medo e despertar a pessoa.

Outros fatores e o papel da dose

Muita gente começa a tomar melatonina justamente em períodos de estresse e insônia, condições que por si só pioram o sono e favorecem sonhos ruins. Ansiedade, traumas, depressão, mudanças de rotina, privação de sono e alguns medicamentos também alteram os sonhos, o que dificulta apontar o suplemento como culpado. Doses maiores não garantem sono melhor e podem aumentar efeitos indesejados; referências clínicas indicam que doses relativamente baixas bastam para muitas pessoas, e aumentar a quantidade por conta própria não é boa estratégia.

Entre os efeitos adversos relatados estão sonolência no dia seguinte, dor de cabeça, tontura, náusea, irritabilidade e sonhos vívidos ou pesadelos. No curto prazo, a tolerância em adultos costuma ser boa, mas há menos dados sobre o uso prolongado, e a substância pode interagir com medicamentos, por isso quem faz tratamento contínuo deve informar o médico ou farmacêutico.

Se os pesadelos surgirem após o início do uso, a orientação é observar quando começaram, a dose e o horário, aumentos recentes, novos remédios e fases de estresse, sem combinar produtos para tentar resolver. Episódios frequentes, medo de dormir, despertares repetidos ou prejuízo à disposição e à concentração justificam buscar um profissional, que pode ajustar o uso ou investigar distúrbios do sono e outras causas.

A melatonina age principalmente sobre o relógio biológico e pode ajudar em situações como jet lag e alterações do ritmo circadiano, mas não resolve insônia causada por ansiedade, apneia do sono, excesso de cafeína, telas à noite ou hábitos irregulares.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: PattayaPatrol/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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