Suplementar vitamina D e cálcio por conta própria pouco protege contra fraturas, aponta revisão

Tomar vitamina D, cálcio ou os dois juntos de forma rotineira pode não diminuir o risco de quedas e fraturas na maior parte dos adultos. A conclusão é de uma revisão sistemática com meta-análise publicada no periódico The BMJ, que reuniu 69 ensaios clínicos randomizados e 153.902 participantes, comparando a suplementação com placebo ou com a ausência de tratamento.
Cerca de 87% das pessoas avaliadas viviam na comunidade e 73% não tinham risco elevado de quedas ou fraturas. Quem já usava remédios específicos para osteoporose ficou de fora. Por isso, os resultados falam sobre a suplementação preventiva em adultos em geral, e não sobre pacientes com osteoporose estabelecida ou risco muito alto.
O que os números mostraram
- Vitamina D isolada: em 36 ensaios com mais de 92 mil pessoas, o risco relativo de qualquer fratura foi de 1,00, ou seja, praticamente igual ao de quem não suplementou, com alta certeza da evidência. Também não houve benefício relevante para quadril, vértebras ou quedas.
- Cálcio isolado: 11 estudos com 9.067 participantes indicaram risco relativo de 0,91, mas com margem que inclui a ausência de efeito. Uma tendência de mais fraturas de quadril apareceu, porém de forma imprecisa, e os autores não a consideram prova de dano.
- Cálcio e vitamina D juntos: 15 ensaios com 51.126 pessoas mostraram risco relativo de 0,91, cerca de uma fratura a menos a cada 100 tratados, abaixo do limite considerado clinicamente importante. Seria preciso tratar cerca de 333 pessoas para evitar uma fratura de quadril e cerca de 63 para evitar uma não vertebral. Boa parte desse efeito veio de um único estudo com população de risco muito alto.
Não é hora de abandonar o tratamento
O cálcio segue essencial para a estrutura dos ossos, e a vitamina D ajuda na sua absorção. A revisão questiona apenas o uso de doses extras, sem indicação, com a expectativa de evitar fraturas. Ela não orienta quem tem osteoporose, deficiência de vitamina D, baixa ingestão de cálcio ou prescrição médica a suspender o suplemento. A Bone Health & Osteoporosis Foundation continua recomendando ingestão adequada de cálcio, de preferência pela alimentação, e a Endocrine Society trata cálcio e vitamina D como apoio para mulheres na pós-menopausa com osteoporose e alto risco em tratamento específico.
A mesma Endocrine Society sugere não usar rotineiramente doses acima das recomendações nutricionais em adultos saudáveis de 50 a 74 anos, nem pedir dosagem de vitamina D sem motivo clínico. Para quem tem 75 anos ou mais, porém, indica suplementação empírica, de preferência em doses diárias menores. Idade e condição de saúde, portanto, fazem diferença.
Prevenção vai além do suplemento
O risco de fratura depende também de massa óssea, força muscular, equilíbrio, visão, medicamentos e doenças neurológicas. Atividade física, exercícios de força e equilíbrio, alimentação adequada, avaliação do risco de quedas e, quando indicado, remédios como os bisfosfonatos fazem parte da estratégia. Os autores reconhecem que há menos dados sobre pessoas de risco muito elevado e moradores de instituições de longa permanência. Quem usa vitamina D ou cálcio apenas por conta própria pode aproveitar o estudo para conversar com um profissional de saúde; quem segue prescrição deve manter o tratamento até falar com o médico.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Ragesoss/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)







