Treinar não anula o cigarro: Inca usa Dia Nacional de Combate ao Fumo para alertar praticantes de exercício

Treinar não anula o cigarro: Inca usa Dia Nacional de Combate ao Fumo para alertar praticantes de exercício

Musculação, corrida, pedal e outros exercícios estão entre as melhores formas de cuidar da saúde, mas não funcionam como antídoto para o cigarro. Quem treina todos os dias e fuma continua exposto às substâncias tóxicas da fumaça. O alerta ganhou força no sábado (29), Dia Nacional de Combate ao Fumo, quando o Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançou a campanha Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar, voltada justamente contra a ideia de que uma vida ativa reduziria ou anularia os riscos do tabaco.

Por que o exercício não compensa

A atividade física melhora a capacidade cardiorrespiratória, fortalece músculos, ajuda no controle do peso e reduz o risco de doenças crônicas. O cigarro, por sua vez, reúne milhares de substâncias químicas, pelo menos 69 delas reconhecidamente cancerígenas segundo o Inca, e eleva o risco de câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias. Uma pessoa pode ganhar massa muscular e condicionamento e, ao mesmo tempo, seguir exposta a esses riscos. Fumar pouco também não resolve: uma ampla análise publicada no BMJ mostrou que cerca de um cigarro por dia já responde por parte considerável do aumento de risco cardiovascular visto em quem fuma 20. Não há quantidade segura.

O tabagismo ainda prejudica o próprio treino. O monóxido de carbono da fumaça se liga à hemoglobina e reduz o transporte de oxigênio, e a nicotina pode elevar temporariamente a frequência cardíaca e a pressão. Por isso, fumantes tendem a ter menor fôlego, mais dificuldade em exercícios intensos e recuperação diferente. Segundo o Inca, o cigarro prejudica justamente os sistemas respiratório, cardiovascular e muscular que a atividade física busca melhorar.

Fumante pode e deve se exercitar

Ser fumante não é motivo para abandonar a atividade física, que continua trazendo benefícios, mas o treino não deve servir de desculpa para seguir fumando. Falta de ar intensa, dor ou pressão no peito, tontura ou palpitações importantes durante o exercício exigem interrupção e avaliação profissional, e quem está sedentário há muito tempo ou tem doença cardíaca ou respiratória pode precisar de orientação antes de treinos intensos. Uma revisão Cochrane indica que sessões curtas de exercício podem reduzir por um tempo a vontade de fumar e sintomas de abstinência, mas não há evidência consistente de que exercícios, sozinhos, aumentem o abandono do cigarro no longo prazo.

O cigarro eletrônico também não é saída: pode oferecer nicotina em alta concentração e outras substâncias nocivas, mantém o potencial de dependência e tem fabricação, importação, venda, transporte e propaganda proibidos pela Anvisa no Brasil.

Benefícios de parar

Segundo o Ministério da Saúde e o Inca, a recuperação começa logo após o último cigarro: nas primeiras horas caem os níveis de nicotina e monóxido de carbono, e ao longo de semanas e meses circulação e função pulmonar podem melhorar, com queda do risco de doenças cardiovasculares, respiratórias e câncer no longo prazo, em qualquer idade. Quem quer parar pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o SUS oferece tratamento para dependência de nicotina, com acompanhamento profissional e, quando indicado, medicamentos.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Kiwiev/Wikimedia Commons (CC0)

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