Tzield, que pode atrasar o diabetes tipo 1 em pacientes de alto risco, recebe aval da Anvisa

A Anvisa aprovou em 10 de março o uso do Tzield no Brasil. O medicamento pode retardar o aparecimento do diabetes tipo 1 em pessoas com alto risco de desenvolver a doença, o que representa um avanço para a endocrinologia: em vez de agir só depois do diagnóstico, o tratamento atua antes da fase clínica completa e pode adiar a necessidade de insulina.
O que é e para quem é indicado
O princípio ativo é o teplizumabe, um anticorpo monoclonal que modula a resposta do sistema imunológico e desacelera o processo autoimune que destrói as células beta do pâncreas. O remédio é indicado para adultos e crianças a partir de 8 anos que estejam no chamado estágio 2 do diabetes tipo 1.
Nesse estágio, a pessoa já apresenta sinais imunológicos e alterações na glicose, mas ainda não desenvolveu o quadro clínico da doença. O risco é definido pela presença de pelo menos dois autoanticorpos positivos contra as ilhotas pancreáticas e por alterações glicêmicas sem hiperglicemia clínica estabelecida. Por isso, a aprovação reforça a importância do diagnóstico precoce.
O que os estudos mostraram
O teplizumabe não cura o diabetes tipo 1 nem impede definitivamente o surgimento da doença, mas pode adiar a evolução para o estágio 3, quando o diagnóstico clínico costuma ser confirmado. Em pacientes de 8 a 49 anos no estágio 2, o tempo mediano até o estágio 3 foi de 50 meses com o Tzield, contra 25 meses no grupo placebo, um ganho de cerca de 25 meses. Durante o acompanhamento, 45% dos tratados evoluíram para o estágio 3, ante 72% no grupo placebo.
Impactos e cuidados
Com a decisão, o país passa a ter uma opção para intervir antes da fase clínica, e o debate sobre rastreamento precoce, sobretudo em familiares de pessoas com diabetes tipo 1, pode ganhar força. O medicamento não substitui a insulina em quem já tem o diagnóstico.
Como outros imunomoduladores, o Tzield exige acompanhamento médico cuidadoso. Os efeitos adversos mais comuns incluem linfopenia, erupções na pele, leucopenia e dor de cabeça, e é preciso atenção a infecções, reações de hipersensibilidade e alterações imunológicas. Por isso, o uso deve ocorrer com avaliação médica rigorosa e monitoramento contínuo.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Roy Zuo/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)







