Vacina russa de mRNA contra o câncer gera expectativa, mas cientistas pedem cautela

O governo da Rússia anunciou, em dezembro de 2024, que pretende oferecer gratuitamente a pacientes, a partir de 2025, uma vacina personalizada contra o câncer. O imunizante foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya e usa a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), a mesma adotada em vacinas contra a Covid-19, como as da Pfizer e da Moderna.
Uma vacina para cada paciente
A proposta é produzir uma dose individualizada a partir da análise genética do tumor de cada pessoa. Dessa forma, a vacina “treinaria” o sistema imunológico para reconhecer e atacar as células cancerígenas com mais eficiência, o que poderia melhorar a resposta do organismo e reduzir efeitos colaterais.
Segundo o diretor do Gamaleya, Alexander Gintsburg, testes pré-clínicos mostraram que o imunizante conseguiu conter o crescimento de tumores e evitar metástases.
Comunidade científica cautelosa
Apesar do anúncio, ainda não existem publicações científicas revisadas por pares que confirmem a segurança e a eficácia da vacina em larga escala. Mariana Brait, gerente sênior de pesquisas do A.C. Camargo Cancer Center, destaca a necessidade de estudos mais rigorosos antes do uso clínico, com avaliação transparente e ampla divulgação dos resultados à comunidade científica internacional.
A iniciativa russa se soma a diversas pesquisas em andamento no mundo sobre imunoterapia e vacinas contra o câncer, incluindo abordagens personalizadas que podem transformar o tratamento da doença nos próximos anos. Ainda assim, a aprovação de um imunizante desse tipo depende de mais evidências clínicas e de validação em ensaios amplos. Os próximos anos serão decisivos para saber se a vacina se tornará uma ferramenta viável contra a doença.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Japanexperterna.se/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)







