Vapes, narguilé e sachês de nicotina também prejudicam o coração, aponta revisão científica

Vapes, narguilé e sachês de nicotina também prejudicam o coração, aponta revisão científica

Uma revisão internacional de estudos científicos chegou à conclusão de que a nicotina prejudica o coração e os vasos sanguíneos seja qual for a forma de consumo. O alerta abrange cigarros eletrônicos (vapes), tabaco aquecido, narguilé, charutos e sachês de nicotina. Publicado no European Heart Journal, o trabalho sustenta que a noção de alternativas seguras ao cigarro não se confirma quando se olha para o sistema cardiovascular, já que a própria nicotina tem efeito tóxico sobre a função vascular.

Como a nicotina age no organismo

Segundo os autores, a substância atua em mecanismos biológicos já bem descritos: ativa o sistema nervoso simpático, costuma aumentar a pressão arterial e os batimentos cardíacos e está ligada à disfunção endotelial, considerada um sinal precoce de lesão nos vasos. A revisão cita ainda estresse oxidativo, perda de elasticidade das artérias e aceleração de processos associados à aterosclerose, o que explica por que o risco cardiovascular pode crescer mesmo sem a queima do tabaco.

Menos fumaça não quer dizer risco zero

O relatório admite que produtos sem combustão podem diminuir a exposição a parte das substâncias presentes na fumaça do cigarro comum, mas destaca que isso não os torna inofensivos. No caso dos vapes, o aerossol pode conter, além da nicotina, compostos irritantes e partículas finas, e os estudos analisados relacionam o uso à piora de indicadores vasculares. Para o tabaco aquecido, a conclusão é parecida: apesar de emissões diferentes das do cigarro tradicional, ainda há efeito sobre a função endotelial e outros marcadores da saúde dos vasos.

O documento também chama atenção para a exposição passiva. Há evidências de dano vascular em pessoas que não usam esses produtos, mas convivem com fumaça, vapor ou emissões do tabaco aquecido, situação especialmente preocupante para crianças e outros grupos vulneráveis.

Jovens e regulação

Os pesquisadores associam a expansão dos novos produtos de nicotina ao aumento da dependência entre adolescentes e adultos jovens, impulsionada por sabores atrativos, publicidade nas redes sociais e lacunas na regulamentação. A proposta defendida é a adoção de regras mais firmes e coerentes entre as diferentes categorias de produtos, a fim de frear o crescimento do consumo e reduzir os danos à saúde da população.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Lindsay Fox from Newport beach, United States/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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