Energético com bebida alcoólica no Carnaval: por que a mistura engana o corpo

Energético com bebida alcoólica no Carnaval: por que a mistura engana o corpo

Calor, blocos cheios, noites mal dormidas e bebida em sequência: nesse cenário, muita gente recorre ao energético misturado ao álcool para aguentar a festa. A combinação, porém, não é inofensiva. A cafeína disfarça a sonolência provocada pelo álcool, mas não reverte a intoxicação. Assim, a pessoa se sente mais desperta do que realmente está e tende a beber mais e a se expor a situações perigosas.

Como a mistura engana

O álcool deprime o sistema nervoso central, prejudicando reflexos, coordenação e capacidade de julgamento. A cafeína reduz a percepção de cansaço, mas não devolve o controle nem melhora a tomada de decisões. Estudos chamam esse estado de embriaguez acordada: a pessoa acredita estar bem, embora siga com prejuízos cognitivos relevantes.

Revisões e meta-análises associam o consumo de álcool com energético a mais episódios de consumo excessivo em pouco tempo, mais comportamentos de risco e mais consequências negativas do que quando se bebe apenas álcool.

Efeitos no corpo durante a folia

  • Desidratação: o álcool aumenta a eliminação de líquidos, e o calor e o suor agravam a perda. A cafeína pode causar tremores e palpitações e dar uma falsa sensação de energia, fazendo a pessoa adiar água e descanso.
  • Sobrecarga no coração: há alertas para aumento da pressão, taquicardia e arritmias em pessoas suscetíveis, risco maior com doses altas, pouco sono e esforço físico prolongado.
  • Exagero: sem a sonolência como freio, o tempo de consumo se estende.

Vale reforçar: a cafeína não acelera a eliminação do álcool nem cura a embriaguez. Ela apenas mascara a sensação de sedação, o que faz muitos subestimarem o próprio grau de intoxicação.

Como curtir com mais segurança

Órgãos de saúde e serviços públicos repetem algumas orientações para reduzir danos no Carnaval:

  • beber água e água de coco ao longo do dia, lembrando que álcool não hidrata;
  • comer antes e durante a festa, evitando beber rápido e de estômago vazio;
  • não usar energético para se reanimar depois de ter bebido;
  • diante de dor no peito, falta de ar, palpitações fortes, desmaio ou confusão, parar e buscar atendimento;
  • não dirigir e planejar a volta para casa com transporte por aplicativo, transporte público ou carona segura, já que sentir-se alerta não significa estar sóbrio.

O cuidado deve ser redobrado por quem tem histórico de arritmia ou hipertensão, crises de ansiedade ou pânico, usa certos medicamentos estimulantes e por adolescentes, grupo já vulnerável ao consumo de energéticos.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Agência Brasília/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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