Presunto, salsicha e bacon no dia a dia: por que vale reduzir os embutidos

Práticos e fáceis de encontrar, os embutidos estão no café da manhã, nos lanches, nas pizzas e em muitas refeições rápidas. O consumo frequente, porém, merece atenção. Salsicha, presunto, mortadela, salame, bacon, linguiça, peito de peru e blanquet fazem parte do grupo das carnes processadas, que o Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomenda evitar por elevarem o risco de câncer de intestino, também chamado de colorretal.
O que torna esses alimentos diferentes
Os embutidos são feitos com carnes submetidas a salga, cura, fermentação, defumação ou adição de conservantes. Esses processos prolongam a validade e alteram sabor, textura e aparência. Na fabricação, é comum o uso de nitritos, nitratos e grandes quantidades de sal, e a defumação pode gerar compostos nocivos.
A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, vinculada à Organização Mundial da Saúde, classifica a carne processada como cancerígena para humanos e aponta que comer 50 gramas por dia aumenta em cerca de 18% o risco relativo de câncer colorretal. Isso não quer dizer que comer embutido uma vez cause a doença, mas indica que o risco cresce com a repetição.
O tema é relevante porque o câncer de cólon e reto está entre os mais frequentes no país. O INCA estima cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil no triênio 2026-2028, ou aproximadamente 518 mil sem contar os tumores de pele não melanoma.
Além disso, esses produtos costumam concentrar sódio, gorduras, conservantes e outros aditivos. O Guia Alimentar para a População Brasileira orienta evitar ultraprocessados, em geral desbalanceados e ricos em sódio, gorduras ou açúcares.
A frequência faz a diferença
O consumo eventual, como um cachorro-quente numa festa ou uma pizza de calabresa de vez em quando, não é o principal problema. O risco aumenta quando presunto, salsicha, mortadela ou peito de peru aparecem no prato todos os dias e ocupam o lugar de alimentos mais nutritivos, como frutas, ovos, legumes, carnes frescas, queijos menos processados e preparações caseiras.
Trocas que ajudam
- No café da manhã, substitua o presunto por ovo mexido, queijo branco, frango desfiado ou pasta de grão-de-bico.
- No almoço e no jantar, troque a salsicha por carnes frescas, legumes refogados, frango desfiado ou pratos feitos em casa.
- Leia os rótulos: muitos ingredientes, excesso de sódio e vários aditivos são sinal de alerta.
O cuidado deve ser redobrado com as crianças, já que embutidos são comuns em lanches escolares, festas e refeições rápidas. É na infância que o paladar se forma, e o hábito precoce de comer produtos salgados e industrializados pode dificultar a aceitação de preparações naturais. A orientação de saúde pública é direta: quanto menos carne processada, melhor.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Benreis/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)







