Vapes entre jovens viram foco do Dia Mundial Sem Tabaco; DF também acende alerta

Vapes entre jovens viram foco do Dia Mundial Sem Tabaco; DF também acende alerta

O Dia Mundial Sem Tabaco, lembrado em 31 de maio, chegou em 2026 com um recado que vai além do cigarro convencional. A campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) deste ano denuncia o falso atrativo dos produtos de tabaco e nicotina, sobretudo os cigarros eletrônicos, oferecidos aos jovens com sabores, visual moderno e aparência de menor risco.

Adolescentes na mira

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), 15 milhões de adolescentes de 13 a 15 anos usam cigarros eletrônicos no mundo, e nos países com dados disponíveis eles têm em média nove vezes mais chance de usar vape do que os adultos. Considerando todos os produtos de tabaco, cerca de 40 milhões de adolescentes dessa idade são consumidores. A OPAS estima que o tabaco provoque mais de 8 milhões de mortes por ano, mais de 7 milhões pelo uso direto e mais de 1,2 milhão pelo fumo passivo.

O retrato no Brasil

Segundo o Vigitel 2006-2024, do Ministério da Saúde, a proporção de adultos fumantes nas capitais e no DF caiu de 15,7% em 2006 para 11,5% em 2024, mas ficou estável entre 2019 e 2024. Em 2024, fumavam 13,9% dos homens e 9,5% das mulheres. O consumo pesado, de 20 ou mais cigarros por dia, atingiu 2,8% dos adultos, abaixo dos 4,6% de 2006, mas também sem queda recente.

O uso diário ou ocasional de dispositivos eletrônicos para fumar ficou em 2,4% entre adultos em 2024, enquanto a experimentação subiu de 6,4% em 2019 para 8,4%. Entre jovens de 18 a 24 anos, o uso chegou a 10,1% e a experimentação a 24,8%.

Situação no Distrito Federal

A Secretaria de Saúde do DF aponta queda de 46% na prevalência de tabagismo entre 2006 e 2023. Por outro lado, um informativo epidemiológico da pasta mostra que o uso de cigarro eletrônico entre homens adultos passou de 5,2% em 2019 para 9,3% em 2023, com concentração nas faixas de 18 a 24, 25 a 34 e 35 a 44 anos.

No Programa de Controle do Tabagismo do DF, 1.669 pessoas ingressaram em 2024, das quais 1,9% relataram usar cigarro eletrônico. Em 2025, até o segundo quadrimestre, foram 1.543 participantes, com 2,4% de usuários de vape.

A venda, a importação e a propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas no país desde 2009 por norma da Anvisa, mas os aparelhos seguem circulando de forma irregular, especialmente em ambientes jovens e nas redes sociais.

Sem alternativa segura

Especialistas lembram que o vape não é uma opção segura: além da nicotina, que causa dependência, pode conter substâncias irritantes e tóxicas para o sistema respiratório. Quando o uso começa cedo, o risco de dependência é maior, já que o cérebro de adolescentes e jovens ainda está em formação.

Quem deseja parar pode procurar a rede pública. O SUS oferece tratamento com acompanhamento profissional e, quando indicado, apoio medicamentoso. Abandonar o cigarro reduz rapidamente o risco cardiovascular e, com o tempo, diminui as chances de câncer, doenças respiratórias e outras complicações ligadas à nicotina.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Lindsay Fox/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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