Sentir-se sozinho pode afetar as válvulas do coração, sugere estudo com 463 mil pessoas

Sentir-se sozinho pode afetar as válvulas do coração, sugere estudo com 463 mil pessoas

Os efeitos da solidão podem ir além da saúde mental e alcançar o coração. Um estudo publicado no Journal of the American Heart Association indica que adultos que se sentem sozinhos com frequência têm maior risco de desenvolver doença degenerativa das válvulas cardíacas.

As válvulas controlam a passagem do sangue entre as câmaras do coração. Com o tempo, elas podem engrossar, calcificar ou perder flexibilidade, prejudicando o fluxo sanguíneo, e por isso esse tipo de problema se torna mais comum com a idade.

O que a pesquisa encontrou

Os cientistas analisaram dados de cerca de 463 mil pessoas, que responderam a perguntas sobre solidão e isolamento social e foram acompanhadas, em média, por 14 anos por meio de registros médicos. Nesse período, mais de 11 mil desenvolveram doença valvar degenerativa.

  • Quem relatou solidão teve risco 19% maior de doença valvar degenerativa;
  • O risco de estenose aórtica, estreitamento da válvula por onde o sangue sai do coração, foi 21% maior;
  • O de regurgitação mitral, quando a válvula entre as câmaras esquerdas não fecha direito e o sangue reflui, foi 23% maior.

A associação se manteve mesmo após considerar a predisposição genética dos participantes, o que reforça a hipótese de que a solidão pode atuar como fator de risco independente.

Hábitos e estresse crônico

Os autores ressaltam que parte da relação pode ser explicada por hábitos: pessoas mais solitárias ou isoladas tendem a apresentar mais obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, sono ruim e pouca atividade física. Além disso, a solidão funciona como um estressor crônico, capaz de provocar alterações no organismo e sobrecarregar o sistema cardiovascular. Por isso, eles defendem incluir o enfrentamento da solidão nas estratégias de prevenção, o que, em tese, poderia retardar a progressão da doença e adiar cirurgias.

Limitações

Por ser observacional, o estudo mostra uma associação, e não prova que a solidão cause a doença valvar. A maioria dos participantes era de adultos brancos, o que pode limitar a aplicação dos resultados a outros grupos. Os pesquisadores defendem novos estudos em populações mais diversas para confirmar os achados e entender os mecanismos biológicos envolvidos.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: jaocampoz/Wikimedia Commons (CC0)

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