Brasil aparece entre os países mais estressados do mundo; veja dados e caminhos para enfrentar o problema

O estresse deixou de ser apenas uma expressão do cotidiano e passou a ser tratado como questão de saúde pública. O Dia Mundial de Combate ao Estresse é um convite para olhar para as causas, os impactos e as formas de lidar com o problema.
Um retrato preocupante
- Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas convivem com transtornos mentais, como ansiedade e depressão, fortemente associados ao estresse crônico.
- Entre 2020 e 2050, as perdas com transtornos mentais e doenças crônicas não transmissíveis podem chegar a US$ 7,3 trilhões só na América do Sul, somando produtividade e gastos com saúde.
- No Brasil, cerca de 40% da população relata altos níveis de estresse diário e 30% apresentam sintomas de ansiedade.
- Em 2024, relatório ligado ao World Mental Health Day colocou o Brasil como o 4º país mais estressado do mundo, com cerca de 42% da população relatando estresse elevado.
- A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 15% das pessoas em idade ativa sofram com transtornos mentais relacionados ao trabalho.
- Entre janeiro e outubro de 2024, o país registrou 671.305 atendimentos ambulatoriais por ansiedade, 14,3% a mais que no ano anterior.
Quando o estresse vira problema
Em pequenas doses e por pouco tempo, o estresse funciona como um alerta do organismo. O perigo está na forma crônica, que se prolonga sem alívio e, com o tempo, contribui para hipertensão, queda da imunidade e distúrbios metabólicos. Ele também desencadeia ou agrava ansiedade, depressão e burnout. No trabalho, relações desgastadas, pouca autonomia e pressão por metas tornam o ambiente ainda mais pesado. Um estudo publicado no repositório arXiv calculou que uma pessoa comum enfrenta, em média, 5,39 fatores estressores por dia, principalmente ligados a trabalho, saúde e deslocamento.
A data serve para chamar a atenção da sociedade, reduzir o estigma do sofrimento psíquico, estimular instituições a adotar medidas preventivas e incentivar que as pessoas reconheçam sinais de sobrecarga e procurem ajuda. Entre os obstáculos estão a dificuldade de enxergar o estresse crônico como adoecimento, o tabu em buscar apoio psicológico e políticas públicas ainda insuficientes.
Caminhos apontados
- Integrar a saúde mental ao sistema público, com mais acesso a atendimento psicológico e formação de profissionais;
- Nas empresas, avaliar fatores como carga de trabalho e autonomia, flexibilizar jornadas, garantir pausas e oferecer programas de bem-estar e suporte psicológico;
- Educação preventiva, com habilidades de regulação emocional e atenção a sono, respiração e alimentação desde cedo;
- Tecnologia, como aplicativos e dispositivos vestíveis, como complemento, e não substituto, do cuidado humano;
- Uma cultura de desaceleração, com lazer, convívio social, silêncio e práticas como meditação e caminhadas na natureza.
Para o diretor-geral da OMS, transformar os serviços de saúde mental é um dos desafios mais urgentes da saúde pública. O dia é simbólico, mas o enfrentamento precisa ser diário e coletivo, envolvendo governos, organizações e cada pessoa.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Microbiz Mag/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)







