Cirurgia combinada para catarata e glaucoma é incorporada ao SUS

O Ministério da Saúde oficializou a entrada no SUS de uma técnica que permite tratar catarata e glaucoma em um único procedimento. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União em 17 de setembro e combina a retirada da catarata com uma intervenção que melhora a drenagem do líquido interno do olho, reduzindo a pressão intraocular. A indicação é voltada principalmente a pessoas com glaucoma primário de ângulo aberto em estágio leve a moderado que também têm catarata.
Como funciona
Na cirurgia de catarata, o cristalino opaco é retirado e substituído por uma lente artificial. No glaucoma, o foco é baixar a pressão do olho, com colírios, laser ou cirurgia. Foram incorporadas duas técnicas do grupo das cirurgias minimamente invasivas para glaucoma:
- goniotomia excisional, feita por uma pequena incisão na córnea para abrir a região de drenagem;
- trabeculotomia transluminal, em que um microcateter ou fio cirúrgico percorre o canal natural de drenagem para ampliá-lo.
Segundo o ministério, a abordagem evita duas cirurgias separadas e, em pacientes bem selecionados, pode oferecer recuperação mais rápida, menos complicações, melhor controle da pressão e menor dependência de colírios, embora parte dos pacientes continue precisando de remédios. A decisão cabe ao oftalmologista, que avalia estágio do glaucoma, pressão ocular, grau da catarata, situação do nervo óptico, uso de colírios e resposta a tratamentos anteriores. Casos avançados podem exigir outras cirurgias.
Doenças diferentes
O glaucoma lesa de forma progressiva o nervo óptico e, segundo dados citados pela Conitec, pode atingir até 3% dos brasileiros acima de 40 anos; a forma de ângulo aberto responde por cerca de 60% dos diagnósticos. A perda começa pela visão periférica e costuma ser silenciosa, e o dano já instalado pode ser irreversível: a cirurgia controla a pressão e freia a progressão, mas não cura a doença nem devolve a visão perdida. Já a catarata, mais comum com a idade, causa visão turva, dificuldade à noite, sensibilidade à luz e cores apagadas, e costuma ser corrigida com cirurgia.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS também pesou o impacto econômico: comparada ao implante de drenagem iStent, a goniotomia excisional pode gerar economia estimada de R$ 22,4 milhões no primeiro ano e R$ 93,2 milhões no quinto, somando R$ 276 milhões em cinco anos, valores que são projeções.
Quando estará disponível
O próximo passo é incluir a técnica no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do glaucoma e organizar os serviços, por isso ela não estará imediatamente em todos os hospitais. Quem suspeita de catarata ou glaucoma deve procurar a rede pública, que pode encaminhar para consulta oftalmológica; não é possível pedir diretamente a nova cirurgia. Pessoas acima de 40 anos, com histórico familiar, pressão ocular alta, miopia elevada, diabetes ou alterações no nervo óptico devem fazer avaliação periódica. Dor ocular intensa, olho vermelho, visão borrada repentina, halos em volta das luzes, náuseas ou vômitos exigem atendimento rápido, pois podem indicar glaucoma agudo.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: U.S. Army Southern European Task Force, Africa/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)







