Dívidas tiram o sono de 71% dos brasileiros, aponta levantamento da Serasa

Contas em atraso, dívidas e incerteza sobre como fechar o mês pesam não só no bolso, mas também no bem-estar emocional. Levantamento da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box mostra que 89% dos entrevistados afirmam que problemas financeiros já afetaram de algum modo sua saúde mental, e 80% colocam a falta de dinheiro e a dificuldade de pagar contas entre as maiores preocupações. Os dados ganham destaque no Setembro Amarelo, mês dedicado à saúde mental.
Sono e humor afetados
Para 71% dos participantes, as finanças já prejudicaram a qualidade do sono, índice que era de 54% na edição de 2025. Também foram citadas alterações de humor (53%), problemas de autoestima (50%) e instabilidade emocional (47%). A pesquisa mostra associação, e não permite afirmar que as dificuldades financeiras sejam a causa direta desses sintomas nem que toda pessoa endividada vá desenvolver ansiedade, depressão ou insônia.
A preocupação com dinheiro pode manter o corpo em alerta e alimentar pensamentos repetitivos na hora de dormir, com dificuldade para pegar no sono, despertares de madrugada e sensação de descanso insuficiente. Dormir mal, por sua vez, prejudica concentração e controle emocional, o que torna as decisões financeiras ainda mais desgastantes. Noites ruins ocasionais são diferentes de um problema persistente, que merece avaliação profissional.
Cuidado com a mente também custa
Embora 83% gostariam de investir mais na saúde mental, 62% já deixaram de procurar ajuda psicológica por não poder pagar, contra 49% em 2025. Hoje, 67% gastam com terapia, medicamentos ou atendimento psiquiátrico, e 36% deles destinam cerca de 10% da renda mensal a isso. Entre quem teve problemas financeiros ligados a questões emocionais, 70% acumularam dívidas, 64% relataram desorganização financeira, 41% usaram a reserva de emergência e 37% passaram a depender de crédito para gastos do dia a dia.
Para 76% dos entrevistados, educação financeira poderia ajudar a saúde mental, e 63% acham que apoio psicológico contribuiria para decisões financeiras melhores. Conhecer todas as dívidas, separar despesas essenciais, definir prioridades e renegociar quando necessário podem reduzir a sensação de descontrole, lembrando que nem toda dificuldade vem de falta de organização, especialmente quando a renda não cobre o básico. Um estudo da University College London com 2.759 britânicos nascidos em 1946 também associou dificuldades financeiras persistentes e baixa renda na vida adulta a pior desempenho posterior em memória e velocidade de processamento, uma associação influenciada por muitos fatores.
Onde buscar apoio
Preocupação diante de uma dívida é normal, mas o alerta acende quando o sofrimento fica frequente e intenso, com insônia, crises de ansiedade, irritabilidade, perda de interesse pelas atividades, falta de concentração ou prejuízo no trabalho e nas relações. No SUS, a Unidade Básica de Saúde (UBS) é a porta de entrada para avaliação em saúde mental, com apoio da Rede de Atenção Psicossocial. Em crise ou risco imediato à vida, a orientação é procurar atendimento de urgência ou ligar para o Samu, no 192.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Oleg Yunakov/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)







