Estudo identifica 14 genes ligados à obesidade e 3 com efeito protetor

Estudo identifica 14 genes ligados à obesidade e 3 com efeito protetor

Pesquisadores de vários países identificaram 14 genes diretamente relacionados ao desenvolvimento da obesidade e outros três que parecem proteger contra o ganho excessivo de peso. O trabalho, publicado na revista científica Nature Genetics, pode abrir caminho para tratamentos mais precisos, baseados no perfil genético de cada pessoa. A obesidade atinge mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.

Como a pesquisa foi feita

A obesidade é uma doença multifatorial, influenciada por ambiente, comportamento e genética. Embora alimentação e sedentarismo tenham papel central, a predisposição genética interfere na forma como cada organismo acumula gordura. O estudo analisou dados genômicos de mais de 500 mil pessoas de diferentes origens, com apoio de inteligência artificial e modelos computacionais avançados, para localizar mutações que aumentam o risco e outras que parecem proteger.

Genes de risco e genes protetores

Os 14 genes associados à doença afetam o metabolismo, o controle da fome, o gasto de energia e o armazenamento de gordura. Alterações neles podem levar a mais fome, menos saciedade, metabolismo mais lento ou maior acúmulo de gordura visceral, favorecendo o ganho de peso mesmo com uma dieta equilibrada.

Já os três genes protetores estão ligados a melhor sensibilidade à insulina, maior termogênese (gasto calórico) e menos inflamação metabólica, processos que ajudam o corpo a manter um peso saudável mesmo em situações de risco.

O que muda na prática

A descoberta é um avanço para a medicina de precisão, pois permite pensar em terapias voltadas aos mecanismos genéticos de cada caso. Também ajuda a explicar por que algumas pessoas têm mais dificuldade para emagrecer mesmo com dieta e exercícios. Os resultados podem orientar a prevenção desde a infância em quem tem predisposição conhecida, reduzindo o risco de diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.

O estudo reforça a visão da obesidade como doença crônica e complexa, e não como simples falha de comportamento. Os próximos passos incluem validar os achados em estudos clínicos, entender como esses genes interagem entre si e com dieta e atividade física, e desenvolver testes genéticos capazes de prever o risco e personalizar o tratamento. Enquanto isso, a abordagem integrada — que une ciência, clínica, psicologia e políticas públicas — segue sendo o caminho recomendado.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Flocci Nivis/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

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