Largar o cigarro depois dos 40 desacelera o declínio da memória, aponta pesquisa internacional

Nunca é tarde para abandonar o cigarro, e o cérebro agradece. Um estudo publicado na revista The Lancet Healthy Longevity indica que adultos de meia-idade e idosos que deixam de fumar apresentam queda mais lenta das funções cognitivas do que os que mantêm o hábito.
A pesquisa analisou informações de quase 10 mil voluntários, com idades entre 40 e 89 anos, acompanhados por 18 anos em 12 países. O objetivo era verificar se interromper o tabagismo altera o desempenho mental ao longo do tempo, principalmente em memória e fluência verbal.
Diferença aparece com o passar dos anos
No começo do acompanhamento, fumantes e ex-fumantes tinham resultados parecidos nos testes cognitivos. A distância entre os grupos surgiu com o tempo: quem largou o cigarro passou a perder desempenho em ritmo menor.
Depois de seis anos sem fumar, a desaceleração do declínio já era perceptível. Segundo os pesquisadores, o efeito pode equivaler a um adiamento de até três anos no envelhecimento cognitivo no período estudado.
Por que o cigarro prejudica o cérebro
Parte dos danos provocados pelo tabaco pode ser permanente, mas parar de fumar impede que a agressão continue no mesmo ritmo. Ou seja, mesmo com prejuízos já instalados, a decisão ainda traz ganhos.
Uma das explicações envolve a circulação. O cigarro pode danificar as artérias cerebrais, favorecer pequenas lesões e comprometer funções ligadas à memória. Por isso, cuidados que protegem o coração costumam beneficiar também o cérebro.
Outros hábitos também influenciam
Os autores fazem uma ressalva: muitas pessoas que abandonam o cigarro adotam, ao mesmo tempo, uma rotina mais saudável, com alimentação equilibrada e atividade física. Essas mudanças também preservam a cognição e podem ter influenciado parte dos resultados.
Ainda assim, o estudo reforça que deixar de fumar, isoladamente, já é uma medida importante de proteção à saúde. A mensagem central é que a decisão compensa mesmo quando tomada mais tarde: embora não apague todos os danos, ela freia sua progressão e aumenta as chances de envelhecer com mais saúde física e mental.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Ziko van Dijk/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)







