Lula é reeleito presidente do Brasil e conquista o quarto mandato após virada histórica sobre Flávio Bolsonaro

Lula é reeleito presidente do Brasil e conquista o quarto mandato após virada histórica sobre Flávio Bolsonaro

BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. A vitória foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por volta das 21h, no horário de Brasília, com Lula em 51,77% dos votos válidos (64.171.161 votos), segundo o TSE. É o quarto mandato presidencial do petista, que volta ao cargo ao lado do vice Geraldo Alckmin (PSB).

Foto oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente Lula (PT), reeleito no segundo turno de 2026. Foto: Ricardo Stuckert/PR (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons.

Resumo: o que você precisa saber

  • Resultado: Lula (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) com 51,77% dos votos válidos (64.171.161 votos) contra 48,23% (59.790.137 votos).
  • Virada histórica: Lula terminou o 1º turno atrás (45,16% contra 47,03%) e inverteu o placar. Segundo a imprensa, é a primeira vez desde 1989 que quem largou atrás no 1º turno vence a disputa presidencial.
  • Vice: Geraldo Alckmin (PSB) foi reeleito na chapa.
  • Posse: 5 de janeiro de 2027, conforme a Emenda Constitucional 111/2021.
  • Mandato: quatro anos, de 2027 a 2030.

Os números do segundo turno

Segundo o TSE, com 99,90% das seções totalizadas (atualização das 21h35), Lula (PT) recebeu 64.171.161 votos (51,77%) e Flávio Bolsonaro (PL), 59.790.137 votos (48,23%) — uma diferença de 4.381.024 votos. O próprio painel do tribunal classifica a eleição como “matematicamente definida”, com Lula eleito.

CandidatoPartidoVotos (99,90% das seções)% dos válidos
Luiz Inácio Lula da SilvaPT (13)64.171.16151,77%
Flávio BolsonaroPL (22)59.790.13748,23%
Como a eleição virou: votos válidos
1º turno (4 de outubro)
Flávio Bolsonaro (PL)
47,03%
Lula (PT)
45,16%
2º turno (25 de outubro) — apuração do TSE
Lula (PT)
51,77%
Flávio Bolsonaro (PL)
48,23%
Fonte: TSE, conforme divulgado por veículos de imprensa. Dados do 2º turno com 99,90% das seções totalizadas (atualização das 21h35).

O comparecimento foi de 128.111.065 eleitores (80,79%) e a abstenção, de 30.460.334 (19,21%), entre 158.745.502 eleitores aptos, no Brasil e no exterior. Foram 123.961.298 votos válidos, 1.429.281 em branco (1,12%) e 2.720.486 nulos (2,12%).

A apuração foi uma disputa voto a voto

A noite de domingo teve emoção do começo ao fim. A liderança mudou de mãos nas primeiras horas de apuração e só se firmou a favor de Lula depois que metade das seções havia sido totalizada:

Horário (Brasília)Seções apuradasLulaFlávio Bolsonaro
19h3910,40%50,46%49,54%
20h0526,30%49,54%50,46%
20h3053,13%50,23%49,77%
20h5075,87%51,11%48,89%
21h3599,90%51,77%48,23%

Os votos que ainda faltavam ser contados estavam concentrados em estados do Nordeste — Bahia, Sergipe, Pernambuco e Ceará — onde Lula tinha mais de 68% dos votos. Matematicamente, Flávio Bolsonaro precisaria de cerca de dois terços dos votos restantes para alcançar o adversário, o que tornava a virada impossível.

Urna eletrônica brasileira usada nas eleições
Urna eletrônica brasileira. Foto: TSE (domínio público), via Wikimedia Commons.

Primeiro turno: Flávio na frente

Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 56.104.503 votos (47,03%), contra 53.879.538 votos (45,16%) de Lula, uma diferença de mais de 2,2 milhões de votos. Foram 119,3 milhões de votos válidos e abstenção de 21,08%.

Candidato (partido)Votos% dos válidos
Flávio Bolsonaro (PL)56.104.50347,03%
Lula (PT)53.879.53845,16%
Augusto Cury (Avante)3.448.5692,89%
Renan Santos (Missão)2.675.8872,24%
Ronaldo Caiado (PSD)2.605.1482,18%
Romeu Zema (Novo)326.4880,27%
Samara Martins (UP)122.9110,10%
Demais candidatoscerca de 138 mil0,11%

No segundo turno, Lula ampliou a votação em cerca de 10,3 milhões de votos em relação ao primeiro, enquanto a campanha apostou na mobilização de eleitores que haviam se abstido, votado em branco ou nulo, ou estavam indecisos.

O mapa do voto: Nordeste, Minas e exterior

  • Nordeste: Lula venceu em todos os estados da região, com mais de 75% no Piauí e 71% na Bahia.
  • Norte: vitória do petista no Pará, no Amazonas e no Amapá. Flávio teve seus melhores desempenhos em Roraima (72,45%) e Rondônia (69,61%).
  • Minas Gerais: o maior colégio eleitoral em disputa equilibrada ficou com Lula, com 50,29%.
  • Sul, Centro-Oeste, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo: vitória de Flávio Bolsonaro.
  • Exterior: Lula obteve cerca de 58% dos votos válidos. Na Europa, venceu com cerca de 59,7%; na Alemanha, chegou a 79%. No Japão, Flávio venceu com 80%.
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília
Congresso Nacional, em Brasília. Foto: Senado Federal (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons.

Quem é Lula: a trajetória do quarto mandato

Nascido em Caetés, no interior de Pernambuco, em 27 de outubro de 1945 — ele completa 81 anos nesta terça-feira (27) —, Lula mudou-se criança para São Paulo e tornou-se metalúrgico e líder sindical. Presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema a partir de 1975, ajudou a fundar o PT em 1980 e foi o deputado federal mais votado do país em 1986, na Assembleia Nacional Constituinte.

AnoResultado
1989Derrotado por Fernando Collor no 2º turno
1994Derrotado por Fernando Henrique Cardoso
1998Derrotado por Fernando Henrique Cardoso
2002Eleito presidente (derrotou José Serra)
2006Reeleito (derrotou Geraldo Alckmin)
2022Eleito pela terceira vez (derrotou Jair Bolsonaro)
2026Reeleito (derrotou Flávio Bolsonaro)

Com a vitória, Lula é o único brasileiro a conquistar quatro mandatos presidenciais pelo voto popular — dois entre 2003 e 2010, o terceiro iniciado em 2023 e o quarto, a partir de 2027.

Lula, Janja e Geraldo Alckmin na cerimônia de posse em 2023
Lula, a primeira-dama Janja, Alckmin e Lu na cerimônia de posse de 2023. Foto: Josemar Gonçalves/Câmara dos Deputados (CC BY 3.0), via Wikimedia Commons.

Alckmin: a chapa se repete

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), que já havia sido adversário de Lula em 2006, foi vice no mandato iniciado em 2023 e voltou a integrar a chapa em 2026. Ele também acumula o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O adversário: Flávio Bolsonaro

Senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio liderou o primeiro turno e chegou ao segundo como favorito de parte do mercado e das pesquisas. Ele votou cedo, na Vila Isabel, zona norte do Rio, e cobrou mudanças no país. Os principais candidatos do primeiro turno que ficaram pelo caminho foram Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.

Senador Flávio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Agência Senado, via Wikimedia Commons.

Reta final: ato na Avenida Paulista

Na véspera da votação, Lula encerrou a campanha em atos no Rio de Janeiro e na Avenida Paulista, em São Paulo. No discurso, apresentou a eleição como uma escolha sobre o modelo de país e disse estar convencido da vitória. A campanha petista também organizou mais de 730 eventos de “vira-voto” pelo país. No dia da eleição, Lula votou por volta das 10h em São Bernardo do Campo (SP) e acompanhou a apuração em um hotel no centro da capital paulista.

O dia da votação teve problemas

  • Votação prorrogada: o ministro Cristiano Zanin determinou que as urnas ficassem abertas até as 19h nos locais onde a votação ainda estava em curso, por causa de problemas relatados em várias regiões.
  • Clima: chuvas, alagamentos e falta de energia atingiram seções em Minas Gerais e em outros estados.
  • Transporte: a campanha de Lula relatou frota reduzida de ônibus em Salvador, Feira de Santana, Lauro de Freitas e São Paulo, e acionou a Justiça Eleitoral.
  • Violência: a vereadora Iara Pimentel foi ferida no rosto por pedras e garrafas em Montes Claros (MG), e um jovem de 19 anos morreu em Goiás ao cair de um caminhão durante carreata.
Prédio do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília
Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. Foto: TSE (domínio público), via Wikimedia Commons.

O que acontece agora

  • Totalização: o TSE conclui a contagem de 100% das seções.
  • Diplomação: a Justiça Eleitoral diploma o presidente e o vice eleitos.
  • Transição: a equipe de Lula inicia o processo de transição de governo e o anúncio de ministérios.
  • Posse: em 5 de janeiro de 2027, no Congresso Nacional, em Brasília. A data mudou em relação ao 1º de janeiro, antes tradicional, por força da Emenda Constitucional 111, de 2021.
Palácio do Planalto, sede do governo federal, em Brasília
Palácio do Planalto, em Brasília, sede do governo federal. Foto: seier+seier (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons.

Resumo em perguntas e respostas

Quem venceu a eleição presidencial de 2026?

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,77% dos votos válidos no segundo turno, realizado em 25 de outubro de 2026.

Quem é o vice-presidente eleito?

Geraldo Alckmin (PSB), que repete a chapa com Lula.

Quando Lula toma posse?

Em 5 de janeiro de 2027, e o mandato vai até 2030.

Foi a primeira reviravolta desse tipo?

Segundo a cobertura da imprensa, sim: desde 1989 nenhum candidato que terminou o primeiro turno atrás havia vencido a eleição presidencial no segundo.

Dados oficiais do TSE atualizados às 21h35 de 25 de outubro de 2026, com 99,90% das seções totalizadas e a eleição matematicamente definida. Os números podem variar levemente até a totalização de 100% das seções, e a matéria será atualizada com os discursos e reações.

Fontes: TSE (resultados.tse.jus.br); Mix Vale; Brasil de Fato; Diário do Centro do Mundo; O Tempo; Portal de Prefeitura. Imagens: Wikimedia Commons.

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