Mais proteína nem sempre é melhor, aponta revisão com mais de 350 estudos

Mais proteína nem sempre é melhor, aponta revisão com mais de 350 estudos

Barras, iogurtes, cafés e sobremesas turbinados com proteína se multiplicaram nas prateleiras, mas uma revisão científica publicada em 31 de julho de 2026 na revista Cell Press Blue reacendeu o debate sobre essa moda. Pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison analisaram mais de 350 trabalhos sobre restrição de proteínas e aminoácidos e concluíram não que a proteína faça mal, mas que “mais” não é automaticamente “melhor” para todos.

Em diferentes modelos experimentais, reduzir moderadamente a proteína, sem chegar à deficiência, esteve associado a melhor metabolismo, menos inflamação e ativação de mecanismos ligados ao envelhecimento saudável. A restrição de aminoácidos específicos, como metionina, isoleucina e valina, reproduziu parte desses efeitos, e um dos caminhos estudados envolve o hormônio FGF21, que participa do controle energético. A ressalva é importante: grande parte das evidências vem de animais, e ainda não é possível afirmar que comer menos proteína prolongue a vida humana.

Quem precisa de mais e quem pode precisar de menos

Segundo os autores, muitas pessoas sedentárias provavelmente consomem bem mais do que precisam. A referência clássica para adultos saudáveis é de cerca de 0,8 grama por quilo de peso ao dia, o que daria aproximadamente 56 gramas para alguém de 70 quilos, número que serve apenas de exemplo. Já quem faz treino de força costuma ter demanda maior, e dietas mais proteicas ajudam a ganhar e preservar músculo quando combinadas ao exercício.

Os pesquisadores também apontam grupos em que restringir proteína pode ser inadequado:

  • idosos, pela tendência de perda de massa e força muscular (sarcopenia);
  • gestantes;
  • crianças e adolescentes em crescimento;
  • pessoas que comem poucas calorias ou estão se recuperando de lesões e doenças;
  • quem tem maior demanda por causa do exercício.

Rins, qualidade da dieta e suplementos

Pessoas com doença renal podem precisar controlar a proteína e devem seguir orientação individual; diretrizes usadas no SUS recomendam evitar ingestão elevada em certos pacientes com doença renal crônica. Para pessoas saudáveis, não é correto dizer que toda dieta rica em proteína prejudica os rins, mas condições como diabetes e hipertensão precisam ser consideradas antes de grandes mudanças.

A origem da proteína também conta: feijão, lentilha, peixe e ovos formam um padrão diferente de uma dieta apoiada em carnes processadas e ultraprocessados enriquecidos, e o foco excessivo no nutriente pode tirar espaço de frutas, verduras e fibras. O whey protein pode ajudar quem tem dificuldade de atingir a meta com comida, mas, somado a uma dieta que já é suficiente, tende a só acrescentar calorias.

Os próprios autores admitem que ainda não se sabe a quantidade ideal para cada grupo. A necessidade depende de peso, idade, nível e tipo de atividade física, objetivos, calorias totais, gravidez e doenças, e a conclusão mais sólida é que a quantidade de proteína deve ser individualizada, sem transformar o nutriente em vilão ou em milagre.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Bean appreciator/Wikimedia Commons (CC0)

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