Mukbang: especialistas alertam para os riscos dos vídeos de comilança nas redes

Mukbang: especialistas alertam para os riscos dos vídeos de comilança nas redes

Nascido na Coreia do Sul, o mukbang se espalhou pelas redes sociais do mundo inteiro. Nesses vídeos, gravados ou transmitidos ao vivo, criadores de conteúdo aparecem comendo porções enormes enquanto conversam com a audiência. O formato atrai pela curiosidade e pelo tom descontraído, mas especialistas em saúde mental e nutrição chamam atenção para os riscos por trás da diversão.

O que é o mukbang

O termo junta as palavras coreanas para comer (mukja) e transmissão (bangsong), algo como “comer ao vivo”. O cardápio vai do fast food à comida caseira. Muitos produtores dizem que o conteúdo ameniza a solidão de quem assiste, que tem a impressão de fazer a refeição acompanhado.

Riscos para a saúde

Ingerir muita comida em pouco tempo pode configurar um padrão de alimentação transtornada, com episódios de compulsão em que a pessoa perde o controle sobre o que come. Com o tempo, esse comportamento favorece obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças do coração. Há ainda o risco de o formato normalizar e até glamourizar esses hábitos, afetando quem já enfrenta distúrbios alimentares.

Os criadores são os mais expostos, porque sentem pressão para comer cada vez mais e manter a audiência. Isso pode levar a indigestão crônica, problemas gástricos e até lesões no sistema digestivo; em situações extremas, a compulsão pode causar asfixia ou insuficiência cardíaca. A morte recente de uma influenciadora de mukbang, cujas circunstâncias ainda eram investigadas, levantou suspeitas de relação com os excessos exibidos nos vídeos e reacendeu o alerta.

O impacto emocional também pesa: a compulsão costuma vir acompanhada de culpa e vergonha, alimentando um ciclo difícil de romper. Para parte do público, os vídeos podem funcionar como gatilho para seus próprios problemas com a comida.

Responsabilidade compartilhada

Plataformas como YouTube e Twitch são chamadas a considerar os efeitos desse conteúdo sobre a saúde dos usuários, equilibrando liberdade de expressão e prevenção de comportamentos nocivos. Os criadores também têm papel importante, e alguns já reduziram as porções ou passaram a mostrar opções mais saudáveis.

Diante de sinais de distúrbio alimentar, a recomendação é buscar orientação profissional para evitar complicações graves.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: G A/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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