Nanopartículas de prata feitas por fungo barram Covid em hamsters e podem virar spray nasal

Nanopartículas de prata produzidas a partir do fungo Trichoderma reesei mostraram potencial para prevenir e tratar a Covid-19. Em testes com hamsters, elas impediram a infecção pelo vírus e ainda ajudaram a reduzir a carga viral nos pulmões dos animais, diminuindo a inflamação observada.
O estudo, financiado pela Fapesp, abre caminho para o desenvolvimento de sprays nasais e outros produtos voltados a infecções virais, como HIV/Aids, herpes-zóster e influenza. Por enquanto, os resultados foram obtidos em animais.
Como as partículas agem
A indústria farmacêutica tem interesse nas nanopartículas de prata pela capacidade de se ligarem a proteínas: dependendo do formato e do tamanho, elas atraem essas moléculas e se fixam a elas, interferindo na evolução de diversas doenças.
Os cientistas verificaram que as partículas atuam diretamente sobre a ativação do inflamassoma, complexo de proteínas das células responsável por respostas inflamatórias exageradas, como a chamada tempestade de citocinas dos casos graves de Covid-19. Elas também diminuem a produção de interleucina-1 beta (IL-1β), uma das proteínas envolvidas nesse processo.
Fungo como fábrica
O trabalho reuniu pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (FMRP-USP), da Fiocruz, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e da Universidade de Brasília (UnB). O T. reesei é bastante usado na indústria por converter celulose, componente fundamental da biomassa vegetal, em glicose.
No laboratório, o fungo é cultivado com pouco oxigênio, condição que estimula a produção de enzimas com grande poder redutor. Essas enzimas funcionam como uma biofábrica que transforma a prata em nanopartículas esféricas, enquanto outras proteínas do meio de cultura atuam como estabilizadoras, permitindo controlar com precisão o formato e o tamanho das partículas.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Shixart1985/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)







