Ozempic e Mounjaro contra a compulsão alimentar: o que se sabe e quais os riscos

Conhecidos pelo uso no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, os medicamentos análogos de GLP-1, como a tirzepatida (Mounjaro) e a semaglutida (Ozempic), passaram a ser estudados também contra a compulsão alimentar. O transtorno se caracteriza por episódios em que a pessoa come grandes quantidades de comida em pouco tempo, de forma descontrolada, mesmo sem fome.
Como esses remédios agem
Os análogos de GLP-1 imitam um hormônio produzido naturalmente pelo organismo, envolvido no controle do apetite e da saciedade e na liberação de insulina. Na prática, eles reduzem a fome, fazem a saciedade chegar mais cedo e tornam mais lento o esvaziamento do estômago.
O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) é um problema de saúde mental que atinge milhões de pessoas no mundo. As crises podem ser disparadas por estresse, emoções negativas ou fatores biológicos, como alterações hormonais.
Pesquisas recentes indicam que, ao diminuir o apetite, esses fármacos podem reduzir a frequência e a intensidade dos episódios. Pacientes em uso de Ozempic e Mounjaro relatam queda importante na vontade de comer de forma compulsiva. A perda de peso proporcionada pelos medicamentos também pode contribuir, já que o excesso de peso costuma andar junto com o transtorno.
Limites e efeitos colaterais
Os resultados, porém, não significam uma solução mágica. A resposta varia de pessoa para pessoa e, em alguns casos, é limitada. O tratamento precisa ser multidisciplinar, com psicoterapia, acompanhamento nutricional e mudanças no estilo de vida.
Há ainda os efeitos adversos, mais comuns no início do uso:
- náuseas e vômitos;
- diarreia;
- dor abdominal.
Em situações raras, podem ocorrer complicações mais sérias, como pancreatite ou problemas nos rins. Por isso, o uso deve ser sempre supervisionado por um médico. O preço elevado desses medicamentos, que não estão amplamente disponíveis em todos os sistemas de saúde, também é uma barreira para muitos pacientes.
Abordagem individualizada
Em resumo, os análogos de GLP-1 aparecem como aliados promissores no controle do apetite e dos episódios de compulsão, mas não devem ser usados de forma isolada. O cuidado precisa ser personalizado, considerar os aspectos físicos e emocionais do transtorno e pesar com atenção os efeitos colaterais e os custos.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Chemist4U/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)







