PCDF prende cinco suspeitos de fornecer chips e kits de dados para o golpe do falso parente

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quarta-feira (7/10) uma operação contra uma organização criminosa especializada no golpe do falso parente, em que o criminoso usa a foto de uma pessoa para pedir dinheiro a familiares pelo WhatsApp. O grupo é suspeito de fornecer chips de celular e kits com dados pessoais usados por outros golpistas.
A ação é conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), ligada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor). Segundo o delegado João Guilherme Carvalho, são cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em Ceilândia, Taguatinga e Goiânia (GO). Foram presas duas mulheres, de 24 e 46 anos, e três homens, de 31, 38 e 48 anos, cujas identidades não foram divulgadas.
Entre novembro de 2025 e maio de 2026, a polícia registrou ao menos 19 ocorrências ligadas ao grupo, com prejuízo identificado de cerca de R$ 73 mil. Uma única vítima perdeu mais de R$ 53 mil. Entre os lesados há idosos de 75 e 83 anos, e a PCDF acredita que o número real de vítimas seja maior.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, a organização atuava desde pelo menos 2024, dividida em núcleos. Um deles, em Ceilândia, era chefiado por um ex-funcionário de operadora de telefonia e cadastrava chips em nome de pessoas que não sabiam da fraude, usando listas de CPFs anotadas em cadernos. Em um único celular investigado havia mais de 6 mil habilitações de chips, vendidos já ativados para dificultar a identificação dos responsáveis pelos golpes.
O segundo núcleo, em Goiânia, recebia e testava os chips e os usava para criar as contas de WhatsApp empregadas nas fraudes. O grupo também produzia e vendia, sob encomenda, as chamadas grades: kits com dados pessoais da vítima e de familiares, tirados de painéis clandestinos, além de roteiros de conversa e outros materiais de apoio. Com isso, os compradores recebiam praticamente toda a estrutura para aplicar o golpe em qualquer lugar do país.
Investigação
O caso começou em maio de 2026, quando uma moradora do DF foi abordada por um perfil de WhatsApp que usava o nome e a foto do próprio filho. A análise dos vestígios digitais levou a DRCC à estrutura organizada, que, segundo a polícia, abandonava rapidamente uma vítima para partir para outra e chegava a trocar o perfil falso em questão de horas ou minutos.
Na operação, os policiais apreenderam celulares, computadores e outros dispositivos, que passarão por perícia. A Justiça também deferiu o sequestro de bens e o bloqueio de contas dos investigados e de empresas ligadas a eles, para impedir que o dinheiro seja escondido e garantir eventual reparação às vítimas.
Os suspeitos poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado por fraude eletrônica, com aumento de pena quando praticado contra idosos, e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas máximas podem passar de 26 anos de reclusão, e outros crimes, como falsidade ideológica, podem ser acrescentados. A polícia segue investigando para identificar outros integrantes e as contas que receberam o dinheiro. Alguns dos presos já tinham registros por falsificação de documentos, estelionato e associação criminosa.
Fonte: Metrópoles (metropoles.com/distrito-federal)







