Pinga e licor de guavira: o fruto do cerrado no copo em MS

A guavira passa poucas semanas na árvore, e quem gosta dela aprendeu a prolongar a safra no copo. Em Mato Grosso do Sul, o fruto do cerrado já virou licor e inspira infusões de cachaça.
História e origem
A guavira é um arbusto do cerrado, do gênero Campomanesia, que raramente passa de um metro e meio. Floresce entre setembro e outubro, e os frutos amadurecem de novembro a janeiro. A casca fica verde mesmo quando o fruto está maduro, e a polpa é suculenta, doce e levemente ácida. Mato Grosso do Sul é considerado a região das guabirobas, como o fruto também é chamado.
Na Arca do Gosto, catálogo do movimento Slow Food que reúne produtos ameaçados, a guavira aparece com a indicação de que pode servir de base para vinhos, cervejas e até bebidas destiladas. No dia a dia, o fruto é comido ao natural e vira sorvete, suco, geleia e licor. Estudos universitários feitos no estado chegaram a formular licores de guabiroba.
Há registro de produção artesanal de bebidas com guavira em Campo Grande, mas não de marcas de pinga de guavira em sentido estrito. A bebida que se acha com mais facilidade é o licor.
Como é feito
A versão caseira mais comum de pinga com fruta é a infusão: a fruta fica de molho na cachaça até ceder cor e aroma.
- guavira madura e lavada;
- cachaça;
- açúcar, a gosto, para suavizar.
- Coloque as frutas em um frasco de vidro limpo.
- Cubra com cachaça e feche bem.
- Guarde em local fresco e escuro por algumas semanas, agitando de vez em quando.
- Coe, adoce se quiser e deixe descansar antes de servir.
A polpa da guavira oxida com facilidade em contato com metal, e por isso a extração costuma ser manual. Use frasco de vidro e utensílios que não sejam de metal. Por ser bebida alcoólica, o consumo deve ser moderado e proibido para menores de 18 anos.
Onde provar
- Essência Pantaneira — Campo Grande, banca da Feira Central do produtor André Diniz, com cerca de 20 sabores de licores artesanais, entre eles o de guavira.
Produção artesanal costuma ter estoque limitado, então pergunte pelo sabor de guavira antes de planejar a visita.
Curiosidades
- A safra da guavira é curta, de novembro a janeiro, o que estimula o aproveitamento em bebidas e geleias.
- O fruto está ameaçado pelo desmatamento e pela expansão da soja e das pastagens.
- Em um estudo com licor de guabiroba, só a formulação-padrão se enquadrou como licor na legislação; as demais foram classificadas como bebidas mistas alcoólicas.

Foto de destaque: joao batista Shimoto / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons.







