Polifenóis do café, da uva e de outros vegetais interagem com a microbiota, indica revisão brasileira

Polifenóis do café, da uva e de outros vegetais interagem com a microbiota, indica revisão brasileira

Café, uva, chá-verde, jabuticaba e muitos outros alimentos vegetais são fontes de polifenóis, compostos que vêm chamando a atenção da ciência pela relação com a microbiota intestinal. Uma revisão feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), publicada no periódico Food & Function, reuniu evidências sobre como essas substâncias podem modular as bactérias do intestino e participar da comunicação entre intestino e cérebro.

Como os polifenóis agem

Produzidos pelas plantas, os polifenóis formam um grupo de milhares de compostos, como os flavonoides, e aparecem em uva, jabuticaba, maçã, frutas vermelhas, café, chá-verde, cacau, cebola e brócolis. Boa parte não é absorvida no início da digestão e chega ao intestino grosso, onde pode favorecer algumas bactérias; ao mesmo tempo, os microrganismos transformam esses compostos em outras substâncias aproveitadas pelo organismo. O efeito lembra o dos prebióticos, mas varia muito de pessoa para pessoa, conforme dieta, idade, medicamentos e estilo de vida.

Um estudo com 313 adultos saudáveis, também publicado em 2026 na Food & Function, ligou polifenóis específicos a bactérias capazes de metabolizá-los, e uma dieta mais variada nesses compostos a maior diversidade de genes microbianos envolvidos no processo. Por outro lado, consumir mais polifenóis no total não se associou a uma microbiota mais diversa, sinal de que quantidade não é tudo.

Café e uva

Pesquisa publicada em abril de 2026 na Nature Communications encontrou diferenças na microbiota de quem toma café habitualmente. Após um período sem a bebida, a volta do café, com ou sem cafeína, provocou mudanças rápidas nas bactérias e em metabólitos, o que sugere a participação de outros componentes, como os polifenóis. As alterações foram complexas, nem todas necessariamente benéficas, e a cafeína pode aumentar ansiedade, palpitações e prejudicar o sono em pessoas sensíveis. A uva concentra antocianinas, flavonoides e resveratrol, sobretudo na casca e nas sementes, mas isso não justifica recorrer a suplementos de resveratrol ou extratos concentrados.

Eixo intestino-cérebro

A revisão brasileira analisou o possível papel dos polifenóis no eixo microbiota-intestino-cérebro, em especial na depressão e na ansiedade, envolvendo ácidos graxos de cadeia curta, barreira intestinal, inflamação e neurotransmissão. Grande parte das evidências, porém, vem de experimentos de laboratório e com animais, e não demonstra que café, uva ou polifenóis tratem transtornos mentais em pessoas. A mensagem prática é variar os alimentos vegetais, como frutas de várias cores, verduras, legumes, feijão, cereais, café, chá e cacau, sem esquecer as fibras, em vez de apostar em um único superalimento. Ainda faltam estudos clínicos para confirmar os benefícios concretos dessas mudanças na microbiota.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Toni Cuenca/Wikimedia Commons (CC0)

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