Quem usa Mounjaro pode beber? Veja os riscos de misturar tirzepatida e álcool

O uso do Mounjaro, nome comercial da tirzepatida, cresceu tanto no tratamento do diabetes tipo 2 quanto como apoio à perda de peso. Com isso, aumentaram as dúvidas sobre o que é permitido durante o tratamento, e uma das mais comuns é se dá para consumir bebida alcoólica.
Não existe contraindicação absoluta ao álcool para quem usa tirzepatida, mas há riscos importantes, sobretudo para pacientes com doenças metabólicas associadas.
Os principais riscos
- Hipoglicemia: em pessoas com diabetes, o álcool interfere no metabolismo da glicose, especialmente em jejum. Como o Mounjaro melhora a resposta à insulina, a combinação pode provocar quedas bruscas de açúcar no sangue, com tontura, desmaio e, em situações extremas, coma.
- Desconforto gastrointestinal: o remédio retarda o esvaziamento do estômago e pode causar náusea, vômito e refluxo. O álcool irrita a mucosa gástrica e tende a piorar esses sintomas. Quem já tem esses efeitos colaterais deve evitar bebida por completo.
- Pancreatite: a inflamação do pâncreas é um efeito adverso raro do medicamento, e o álcool é um dos maiores fatores de risco para ela. O uso frequente de bebidas pode somar os riscos.
- Menor eficácia do tratamento: a bebida atrapalha o sono, dificulta seguir o plano alimentar e estimula a vontade de comer ultraprocessados, prejudicando o controle da glicemia e o emagrecimento.
Existe dose segura?
Não há uma quantidade segura que valha para todos. Para pacientes com efeitos colaterais controlados e sem problemas no fígado ou no pâncreas, um consumo bem moderado, como uma taça de vinho de vez em quando, pode ser tolerado, mas sempre com liberação do médico.
A recomendação é evitar totalmente o álcool em quem está nas primeiras 4 a 6 semanas de tratamento, tem histórico de pancreatite ou doença hepática, busca emagrecimento acelerado, apresenta náusea, vômito ou dor abdominal com o remédio ou usa insulina e outros medicamentos com risco de hipoglicemia.
A endocrinologista Letícia Ramos, especialista em obesidade e metabolismo, explica que o Mounjaro age em receptores ligados à glicemia, ao apetite, ao trânsito intestinal e aos hormônios digestivos, enquanto o álcool é inflamatório e pode atrapalhar esse processo. Para ela, o ideal é evitar ou reduzir ao máximo a bebida.
Se for beber
Quem optar por beber, com aval médico, deve fazê-lo depois das refeições e nunca em jejum, limitar-se a uma dose de bebida leve, evitar drinks açucarados e interromper ao primeiro sinal de mal-estar. Ainda assim, a escolha mais segura é deixar o álcool de lado durante o uso da tirzepatida, principalmente nos primeiros meses ou em caso de histórico de complicações digestivas, hepáticas ou metabólicas.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Fabio Ingrosso/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)







