Sururu ao coco e de capote, o molusco que virou símbolo de Alagoas

Quem cresce em Maceió aprende cedo a reconhecer o som das conchas escuras sendo despejadas numa bacia. É o sururu, molusco miúdo das lagoas, que sustenta famílias inteiras, deu apelido ao povo (papa-sururu) e virou um dos pratos mais lembrados de Alagoas.
História e origem
O sururu (Mytella strigata) é abundante nas lagoas Mundaú e Manguaba, que cercam Maceió e as cidades vizinhas. O nome vem do tupi, e o estado ganhou fama de terra do sururu, com seus moradores chamados de papa-sururu. O molusco e o saber de quem o prepara foram decretados Patrimônio Imaterial de Alagoas em 11 de dezembro de 2014.
Na Lagoa Mundaú, o trabalho segue uma divisão antiga: os homens pescam, e as mulheres catam e limpam o molusco. Desde 2017, a cooperativa Coopmaris reúne cerca de 30 marisqueiras, o que dá mais força a quem vive dessa cadeia.
A atividade, porém, passa por fases difíceis. Em março de 2023, catadores de Maceió comemoraram a reaparição do sururu em pontos isolados da Mundaú depois de um longo período de escassez, ligado a problemas ambientais, à oscilação da salinidade e a espécies invasoras que disputam o mesmo habitat. Mesmo com a volta, eles contaram que ainda não havia molusco suficiente para todo mundo trabalhar.
Como é feito
O sururu aparece de vários jeitos, e dois deles são clássicos. O sururu ao coco é cremoso: o molusco entra sem casca num molho de leite de coco com alho, pimentões, cebola, tomate e temperos regionais, e chega à mesa com arroz e farofa. O sururu de capote é a versão mais tradicional e mais líquida, servida dentro da casca, em cuia de madeira, num caldo de leite de coco com coentro e cheiro-verde. Nos dois casos, o frescor manda: o sururu na casca é prato para comer no mesmo dia.
Ingredientes do sururu ao coco (cerca de quatro porções):
- 500 g de sururu sem casca, bem lavado
- 400 ml de leite de coco
- 1 cebola, 2 tomates, 1 pimentão e 3 dentes de alho
- coentro e cheiro-verde
- pimenta e sal a gosto
- Lave o sururu em várias águas até sair toda a areia.
- Refogue o alho, a cebola, o pimentão e o tomate.
- Junte o sururu e deixe pegar gosto por poucos minutos.
- Acrescente o leite de coco e cozinhe em fogo baixo até o caldo encorpar.
- Finalize com coentro e cheiro-verde e sirva com arroz e farofa.
No capote, o molusco cozinha na própria concha, no caldo de coco com legumes e ervas, e a cuia vai à mesa ainda quente. Há casas que fazem o pirão sob encomenda para acompanhar.
Em casa, o cuidado maior é com a limpeza: várias águas e, se possível, um tempo em água limpa para soltar a areia. O cozimento é curto, porque o sururu endurece quando passa do ponto.
Onde provar
- Bar do Pelado — Maceió, bairro da Ponta Grossa (Rua Manoel Lourenço, 44): serve sururu de capote com molusco fresco, e o pirão sai sob encomenda. A casa existe há cerca de 50 anos e começou como mercearia do casal Edvaldo Medeiros Cavalcante, o Pelado, e Marli Lima Medeiros.
- Bar do Pato — Massagueira, Marechal Deodoro (beira da Lagoa Manguaba): um dos bares tradicionais do polo gastronômico, onde o sururu está entre os pratos típicos da região.
Como o sururu fresco depende da safra da lagoa, vale telefonar antes e perguntar se a casa tem o molusco do dia.
Curiosidades
- O sururu foi decretado Patrimônio Imaterial de Alagoas em 11 de dezembro de 2014.
- Os moradores do estado são conhecidos como papa-sururu.
- A cooperativa Coopmaris, criada em 2017, reúne cerca de 30 marisqueiras.
- Um vestido de sururu, criado por uma estilista alagoana, ganhou destaque no Grammy Latino ao ser usado por uma cantora.

Foto de destaque: Ivaldocosta / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons.







