Tucumã, o fruto da palmeira amazônica que vai no pão e na tapioca

De fora, uma bolinha de casca verde e áspera, pendurada em palmeira cheia de espinhos. Por dentro, uma polpa alaranjada, firme e perfumada que na Amazônia vai direto da faca para o pão quente. O tucumã é daqueles frutos que um visitante estranha no primeiro olhar e procura de novo na viagem seguinte.
História e origem
O tucumã (Astrocaryum aculeatum) é uma palmeira nativa da Amazônia, também chamada de tucumã-do-amazonas e tucumã-açu, e o nome tem origem tupi. É uma planta de grande importância social e econômica para os povos amazônicos. Quase todo o fruto que chega ao comércio vem do extrativismo, já que a espécie tem poucas áreas plantadas e ainda é pouco estudada em cultivo.
A polpa é aproveitada de muitas formas: consumida fresca, usada como recheio de pão e de tapioca e transformada em sorvete, suco, licor, creme, patê e pratos quentes, que agradam a moradores e turistas. Também se extraem óleos comestíveis da polpa e das sementes. O caroço, de casca dura, vira matéria-prima de artesanato e de biojoias.
Em Manaus, o fruto é a alma do X-caboquinho, sanduíche que a Lei nº 2.525, de 2019, elevou a patrimônio cultural imaterial da cidade. Especialistas da Embrapa lembram que, fora da Amazônia, o tucumã muda de cor e de sabor e quase não é usado como comida.
Como é consumido
- Em lascas finas, retiradas da polpa depois de quebrar o caroço, no recheio do X-caboquinho e da tapioca.
- Puro, em pedaços, com farinha de mandioca, em algumas mesas regionais.
- Em sorvete, suco, licor, creme e doces, que aproveitam o sabor intenso da polpa.
Para preparar o fruto em casa, quebra-se o caroço, retira-se a polpa com a faca e corta-se em tiras finas. A polpa é firme e rica em óleo, e é esse óleo que perfuma o pão e se mistura ao queijo derretido no sanduíche quente. A combinação com queijo coalho e banana frita é a mais conhecida.
Onde provar
- Mercado Municipal Adolpho Lisboa — Manaus (Rua dos Barés, 46, Centro, às margens do Rio Negro): mercado de produtos regionais, onde visitantes relatam experimentar o tucumã.
A oferta de frutas muda com a safra, então vale perguntar aos feirantes o que há no dia da visita.
Curiosidades
- O caroço, de casca dura, também tem destino: é matéria-prima de artesanato e da indústria de biojoias.
- Da polpa e das sementes também podem ser extraídos óleos comestíveis.
- Quase tudo que chega ao mercado vem do extrativismo, o que mostra a força da coleta na economia regional.

Foto de destaque: Teodomiro Sicsu Júnior / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons.





